Em seu discurso de 20 minutos no Palácio do Planalto, FHC disse também que com a mesma tranquilidade que está enfrentando as denúncias contra ele, é preciso levar adiante as transformações do Brasil, ‘‘sem temer, sem confundir as coisas’’. O presidente disse esperar que a educação que vem proporcionando no governo, possa ‘‘formar cidadão que tenha realmente compromisso moral mais forte’’ daquele que existe hoje.
Ao fazer referência direta às acusações de ter privilegiado o Opportunity, Fernando Henrique disse: ‘‘Até mesmo quando, levianamente, alguns imaginam que o governo ter-se-á embrenhado em assuntos privados, quando, na verdade, o governo estava defendendo o interesse público, defendendo com energia’’, frisou, recebendo aplausos dos que estavam na cerimônia e com mais ênfase dos tucanos. ‘‘Estamos aqui numa nação e não num mercado e é bom que se diga que essa é uma preocupação permanente do governo’’.
O presidente também criticou a imprensa. Falando como professor de ciências sociais, Fernando Henrique afirmou que reprovaria um aluno que tratasse o suposto envolvimento dele no favorecimento ao Opportunity da forma como foi tratado pela imprensa.
Sem citar diretamente a imprensa, Fernando Henrique acusou os jornalistas de mostrar uma parte da questão, de não colocar a transcrição dos diálogos telefônicos grampeados dentro do contexto e de usar, de ‘‘forma desproporcionalmente grande’’, um fragmento do assunto. ‘‘Se algum aluno meu fizesse isso, eu reprovaria, por ser incompetente, ou imoral ou não ter a capacidade de entender do que se trata’’, afirmou.
‘‘Mas, como não sou mais professor, sou apenas presidente da República, eu quase sempre calo. Segundo o presidente, quando ele se cala, não é por consentir, concordar ou temer as acusações que lhe são feitas’’. ‘‘Calo porque sei a responsabilidade do meu cargo, o cargo que o povo me pôs por duas vezes jᒒ, justificou. ‘‘Calo porque é mais fácil vociferar do que atuar, e nós estamos atuando, transformando, fazendo o Brasil progredir’’.

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