'Estamos cortando na própria carne'
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília Quando fala sobre as ações do governo na área de combate à corrupção, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, costuma citar o trabalho da Polícia Federal, que mandou para a prisão, nos últimos 15 meses, pelo menos 20 de seus integrantes, além de dezenas de servidores públicos, empresários e políticos. ''Estamos cortando na própria carne'', afirma o diretor-geral da instituição, Paulo Lacerda. Também de uma só vez foram presos 39 patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal, instituição ligada à pasta de Thomaz Bastos. Em um ano e meio, a PF fez 17 operações que envolviam servidores públicos.
Somente em Roraima, foram presas 51 pessoas envolvidas em denúncias de corrupção, em novembro do ano passado. Não escapou da investigação nem mesmo o ex-governador Neudo Campos, acusado de ter criado folhas de pagamento fantasmas, conhecidas no Estado como ''folha gafanhoto'', que deu prejuízos de até R$ 300 milhões aos cofres públicos. A Operação Praga do Egito começou em Foz do Iguaçu, quando 41 pessoas foram para a cadeia, a maioria patrulheiros rodoviários. Antes dessas duas, a Operação Anaconda desbaratou em São Paulo o esquema de venda de sentença judicial e prendeu um juiz, dois delegados e um agente federal, além de empresários e advogados.
''São operações com nomes de gostos duvidosos, mas que deram resultados favoráveis'', brinca Thomaz Bastos. Ninguém sabe, por exemplo, o motivo pelo qual uma operação da PF foi batizada de ''1203'', realizada em março deste ano, em vários Estados. Era uma investigação para apurar desvios de milhões de dólares em combustíveis. Dos 15 presos, cinco eram servidores públicos.
A mais importante deste ano, segundo avaliação dos próprios policiais, é a Operação Vampiro -cujo nome é o que, aparentemente, mais irrita o ministro Thomaz Bastos - e levou à prisão de 17 pessoas e desmontou um esquema de fraudes no Ministério da Saúde que durou 12 anos.
A mais recente, a Lince 2, cortou, mais uma vez, na carne da própria PF. Dois delegados antigos - Wilson Perpétuo e José Bocamino - foram presos sob a acusação de participar de um esquema envolvendo roubo de cargas.


