'Estamos com tudo rigorosamente em dia'
A entrada de Mílson Dias à frente da pasta criada em 2007 inaugurou também uma fase técnica no órgão, que, desde as primeiras ações, no começo de 2005, era chefiado por um então aliado político do prefeito Nedson Micheleti (PT), Sinival Pitaguari (PCdoB). Nesses três anos, algumas auditorias iniciadas por Dias e sua equipe de auditores acabaram subsidiando até mesmo procedimentos cíveis e criminais do Ministério Público (MP) que culminaram em ações contra servidores e ex-agentes públicos, dentro os quais ex-chefes de autarquias e até ex-vereadores.
Uma dessas investigações, por exemplo, foi aquela referente ao escândalo da tanatopraxia (serviço de conservação de cadáveres) na Acesf, bem como o uso de ''laranjas'', por agentes públicos, a fim de que mais de 20 terrenos comercializados pelo órgão no Cemitério São Paulo fossem adquiridos em um leilão fraudulento para venda, posterior, a valores muito acima daqueles do lance inicial - à época, em 2006, cerca de R$ 2,8 mil. Só o caso da tanatopraxia, que levou ao MP dezenas de pessoas que depuseram na condição de vítimas, revelou todo um esquema por trás da oferta desses serviços, por alguns funcionários da Acesf, mediante coação de familiares dos mortos. Em troca, apontaram as investigações, esses servidores recebiam somas de dinheiro das empresas que realizavam os serviços para o município.
Também foi notória a atuação da Controladoria, no governo interino (abril de 2009), quando da divulgação de um relatório apontando diversas irregularidades no contrato da merenda mantido, então, com a SP Alimentação - cerca de R$ 10 milhões anuais. De fiscalização precária por parte de servidores a insumos inferiores aos previstos no contrato, a auditoria foi encaminhada à Promotoria, que desde 2007 apurava o certame. A última audioria de destaque, também da gestão interina, diz respeito à licitação feita, em tempo recorde, para serviços de wireless (internet sem fio) em escolas da rede municipal. A Controladoria apontou que a Sercomtel poderia ter feito todo o serviço com custos para o erário - diante dos mais de R$ 5 milhões gastos.
Dias afirma que sai por questões pessoais ligadas à carreira acadêmica - ele é professor de Contabilidade Pública. ''Quando eu assumi, a contabilidade estava toda desorganizada, tanto que o Município não tinha certidão liberatória do Tribunal de Contas. Hoje estamos com tudo rigorosamente em dia, além de funcionários melhor capacitados''.(J.G.)





