Estadualização é maior desafio do novo presidente da Sercomtel
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terça-feira, 21 de abril de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A definição de um formato legal para a parceria entre a Sercomtel e a Copel, com vistas à estadualização dos serviços da telefônica londrinense, será um dos principais desafios da nova gestão municipal no que toca à principal empresa pública do município. A Sercomtel deve concluir nos próximos dias um estudo realizado em conjunto com a Copel sobre as alternativas operacionais para estender a prestação de serviços e telefonia para 66 cidades já indicadas como alvos preferenciais do projeto. A telefônica londrinense já tem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para atuar em todo o estado - e a rede de fibras óticas da Copel é considerada o meio ideal para viabilizar o tráfego de informações resultante da estadualização.
De acordo com o vice-presidente da Sercomtel, Oscar Bordin, o projeto de expansão pode significar um salto imenso no faturamento da empresa. O controle acionário da Sercomtel é compartilhado - o município de Londrina detém 55% das ações e a Copel 45%.
''A estadualização envolve uma gama muito complexa de questões tecnológicas. A ideia é otimizar a parceria e explorar serviços de telecomunicações e comunicações. Se houver uma estratégia acertada, Sercomtel e Copel podem criar oportunidades de negócio e entrar em 66 municípios onde a Copel já trabalha com tráfego de dados. Nestes locais, podemos oferecer serviços de voz imediatamente'', afirmou Bordin - que é um dos representantes da Copel na diretoria da Sercomtel. ''Sem dúvida, a Sercomtel pode se consolidar como uma grande empresa de renome estadual e deixar de ser tratada como a menor empresa de telefonia do Brasil.''
A estadualização da Sercomtel teria como foco a prestação de serviços para grandes empresas e clientes corporativos, especialmente aqueles que mantém unidades ou escritórios em diversos municípios - e para o próprio governo estadual.
''Por exemplo, poderíamos baratear os custos para redes de supermercados, de farmácias, órgãos de informações que tenham sucursais pelo estado, além das operações ligadas ao governo do Estado e órgãos públicos'', afirmou Oscar Bordin. ''Todas estas propostas estão sendo discutidas e formalizadas num documento em fase de finalização. Isso significaria, além do aumento de faturamento para a Sercomtel, geração de novos empregos, aumento da arrecadação de impostos e a veiculação do nome de Londrina do ponto de vista tecnológico.'' Segundo o vice-presidente da Sercomtel, em todas as alternativas apresentadas no estudo, a base de operações e sede fiscal da empresa permaneceria em Londrina.
Bordin afirmou que ainda não foram estimados os custos do processo de ampliação da empresa nem o aporte de recursos por parte da Copel e da Sercomtel. Como a capacidade financeira da empresa estadual de energia é muito superior à da telefônica, há especulações sobre a passagem do controle acionário da Sercomtel para a Copel visando viabilizar a injeção dos recursos necessários ao projeto de estadualização. Também existe a possibilidade da Copel ampliar sua participação apenas nos negócios que forem gerados a partir do processo de ampliação.
''Isso é que menos preocupa nesse momento. O objetivo é buscar o crescimento e lutar para não ficarmos acomodados. Se houver (mudança de controle), pode ser altamente benéfico para a cidade porque a empresa poderá crescer de forma vultosa'', avaliou Bordin. De acordo com ele, as discussões sobre controle acionário devem ser travadas pela Prefeitura de Londrina e Governo do Estado.
O prefeito eleito Barbosa Neto (PDT) deve anunciar esta semana o nome do novo presidente da Sercomtel. Ele disse que só vai tratar dos detalhes dos projetos da empresa quando o presidente estiver definido.
''Quem vai tratar de forma técnica é ele (presidente). E eu vou procurar o governador para falar da parte política'', disse Barbosa Neto.
Prejuízo
Além do processo de estadualização, a nova presidência da Sercomtel terá que tratar, de forma imediata, da ASK - Companhia Nacional de Call Center, empresa coligada da Sercomtel que acumula um prejuízo de quase R$ 20 milhões. A Copel vem pressionando a telefônica a se desfazer do negócio, mas os custos políticos gerados pela demissão dos quase 500 funcionários da ASK impediram uma decisão até o momento.
Relatório técnico elaborado por uma equipe da Sercomtel e da Copel abriu a possibilidade de se desmembrar a ASK em duas empresas - visando a venda da parte sadia para saldar as dívidas da parte deficitária.


