Estadualização da Sercomtel pode custar R$ 170 mi
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sexta-feira, 27 de abril de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Entre aporte financeiro e compra de 10% de ações, pelo menos cerca de R$ 170 milhões poderão estar envolvidos na estadualização da Sercomtel caso a Copel aceite a proposta entregue esta semana pela Prefeitura de Londrina. A previsão foi feita ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), ao comentar o documento entregue na última quarta-feira a diretores da estatal, após a assembléia geral anual dos acionistas. Além da troca de comando acionário - Nedson defende que se inverta o panorama: o Estado fique com 55%, e o Município, 45% -, a companhia recebeu também, na ocasião, o estudo que aponta viabilidade técnica, comercial e jurídica na transação com o Executivo estadual. Os 45% foram vendidos à Copel, em 1998, por R$ 186 milhões.
Pelos cálculos do prefeito, só a venda dos 10% propostos à Copel devem render algo em torno de ''pouco menos de R$ 20 milhões'', ao passo que, de aporte financeiro, ele prevê que sejam necessários, ''provavelmente, valores muito superiores a R$ 150 milhões''.
Indagado sobre os parâmetros para a estimativa, Nedson explicou que a base é o balanço de 2006, publicado no último dia 16. ''É uma previsão minha, a Copel ainda teria de analisar: como o último valor patrimonial ficou em R$ 230 milhões, 10% representariam 23 milhões. Tiramos os comprometimentos de dívidas trabalhistas, e outros mais, e diminuem-se 10% disso - daí os R$ 20 milhões'', analisou. Por outro lado, a confirmação de valores como esse depende ainda de nova análise patrimonial e de mercado da telefônica, o que deve ser feito por uma consultoria especializada assim que a Copel analisar o projeto de estadualização e responder à administração.
''O aporte certamente seria maior, algo superior a R$ 150 milhões, para que que se possa levar a logística da operação a todo o Estado, com a distribuição dos serviços'', disse o prefeito. ''A Copel terá que concordar com aporte de recusos se concordar com a estadualização; a empresa precisa ser capitalizada'', definiu.
O prefeito deu as declarações em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), ontem à tarde, onde participou da reinauguração do Teatro Municipal Padre José Zanelli, que passou por reformas.
O evento ainda reuniu lideranças políticas locais e da região, além de deputados federais e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Na ocasião, Bernardo avaliou que uma possível venda da Sercomtel, hoje, valeria bem menos que em 2001 - quando a administração teve de realizar plebiscito sobre a venda da empresa. Nesse ano, Bernardo era secretário de Fazenda do primeiro mandato de Nedson.
''Acho que a estadualização é uma alternativa, pois creio que é difícil para o Município investir na empresa. Mas defendo que o debate tem que ser transparente, é uma opção que a cidade tem que tomar'', concluiu. Sobre novo plebiscito - o prefeito é contrário -, resumiu: ''Depende. O que vi em 2001 foi um debate apaixonado, em que as questões técnicas ficaram relegadas a segundo plano. Mas a cidade é dona de seu destino''.


