Estadualização da Sercomtel é remota
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Enquanto um grupo de trabalho na Sercomtel estuda os termos do edital para contratação de uma empresa que avalie o preço da telefônica, a pedido da própria Copel, na estatal, a possibilidade de compra de ações da Prefeitura, sócia majoritária já é praticamente dada como remota. O viés pouco animador à negociação foi adotado ontem no discurso do presidente da estatal, Rubens Ghilardi, em entrevista ontem à FOLHA (leia-a na página 3).
Para Ghilardi, a compra de 45% das ações por R$ 186 milhões, em 1998, não teria sido um bom negócio para a Copel: ''Absurdamente fora de qualquer padrão''. Ele considerou que a transação foi ''bem acima do que valia a Sercomtel na época''. Na avaliação dele, só esse fato já responderia em parte - ele citou também a concorrência com as multinacionais - pelos prejuízos que a companhia teria acarretado, sobretudo de 2003 para cá, na sociedade com a telefônica.
Por outro lado, Ghilardi declarou, pela primeira vez publicamente, que a estatal considera a hipótese de lançar mão de uma rede de telefonia própria - independentemente da Sercomtel, e via rede elétrica. É esse, aliás, explicou o presidente, o real objeto de análise de uma consultoria já contratada pela Copel depois que a Prefeitura ofertou, em abril, a venda de 10% das ações. Sobre essa possibilidade de expansão sem a parceira, Ghilardi comentou: ''Até testes já vêm sendo feitos com um equipamento usado na Europa e que elimina a interferência da rede elétrica na de telefonia''.
Outro impedimento à estadualização levantado na entrevista, classificado por Ghilardi como ''o mais sério'', se refere à legislação federal das privatizações. ''Tem esse impedimento de a Copel comprar a Sercomtel porque o BNDES tem 26% de participação na Copel, e mais de 20% de participação na Telemar. Segundo a Anatel, a Copel não pode comprar a Sercomtel por esse impedimento do BNDES ter participação majoritária. E o segundo, me parece que quando foi feita a privatização a preferência pela privatização é das telefônicas que estavam na região, aqui na região sul é a Brasil Telecom que é a detentora dessa possibilidade'', disse.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) não quis se manifestar sobre o assunto, alegando que não recebeu ainda ''posicionamento oficial'' por parte da Copel.


