Brasília - O secretário de Energia dos Estados Unidos, Spencer Abraham, trouxe ontem ao governo brasileiro duas mensagens claras de Washington. A primeira, que não há dúvida sobre o compromisso do Brasil com o uso pacífico da tecnologia nuclear. A segunda, que os Estados Unidos não pretendem vetar o Brasil da lista de países fornecedores de urânio enriquecido. Abraham deu os recados durante visita ao ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, com quem tratou também dos avanços na implementação do acordo de cooperação entre os dois países em energia nuclear, de julho de 2003.
Conforme informou a assessoria de imprensa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Abraham tratou como ''especulações'' a polêmica em torno da resistência do Brasil à assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP). A adesão a esse documento autorizaria a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a realizar inspeções mais detalhadas nas plantas de enriquecimento de urânio do Brasil, bem como nas usinas nucleares, com a finalidade de conferir o nível de conhecimento tecnológico no País nessa área.
O estopim dessa polêmica foi uma reportagem do ''Washington Post'', publicada no início do mês. ''Quando o presidente (George W.) Bush declarou que deveria ser limitado o número de países detentores dessas tecnologias, creio que tenha ficado claro que o Brasil faz parte da lista de países que podem enriquecer urânio para geração de energia nuclear. Espero que não haja mais dúvidas sobre isso'', declarou Abraham a Campos, segundo a assessoria de imprensa do MCT. ''Os relatos que surgiram na mídia têm natureza especulativa. Apesar das especulações sobre a minha visita, tenho a dizer que (o Brasil e os Estados Unidos) temos uma sólida relação de cooperação'', afirmou Abraham à imprensa, logo depois de um encontro reservado com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.
Abraham afirmou que não lhe cabe especular sobre a forma como o Brasil e a AIEA vão proceder em relação ao protocolo adicional do TNP. ''Essa questão deve ser tratada entre o Brasil e a agência'', afirmou.
Durante o encontro com Campos, Abraham expôs o interesse do governo americano em reforçar a parceria com o Brasil na área nuclear, em especial no controle e na segurança do uso de elementos radioativos na medicina e em outras áreas, e também no gerenciamento de emergências nucleares. Eles também conversaram sobre a possibilidade de intensificar a cooperação entre a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos, com base em um acordo firmado entre as instituições em 1976.
Segundo a ministra de Minas e Energia, a conversa se concentrou nos termos de um memorando que permitirá a parceria dos dois países na pesquisa sobre o uso do hidrogênio na geração de energia. A ministra também acertou com Abraham uma parceria entre o Ministério de Minas e Energia e o Usaid para o desenvolvimento dessas pesquisas.

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