São Paulo - O etanol é a grande oportunidade de redenção dos Estados Unidos aos olhos da América Latina. Com sua parada estratégica no Brasil, o presidente americano - que trará em sua comitiva a secretária de Estado, Condoleezza Rice - pretende dar o pontapé inicial em uma cooperação que envolve bem mais do que combustíveis renováveis.
A Casa Branca poderá desfazer, pelo menos em parte, a percepção de que é indiferente aos problemas da região. Na visão do Departamento de Estado, a cooperação hemisférica de etanol é uma forma de reunir e beneficiar os países ''amigos'' da América Latina. Ao mesmo tempo em que essas nações se desenvolvem economicamente com a produção de biocombustíveis, formam um bloco mais distante dos petrodólares de Hugo Chávez e das investidas do Irã.
''A cooperação é uma maneira de aprofundar nossa relação com o Brasil e mostrar que Brasil e EUA podem trabalhar para enfrentar os grandes desafios sociais e econômicos da região'', diz o secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon. ''Em termos de biocombustíveis, há um potencial enorme em todo o hemisfério.''
A idéia é que Brasil e EUA liderem pesquisas em etanol e, com a iniciativa privada, promovam investimentos em usinas nos países considerados estratégicos, como Peru e Colômbia, que se transformariam em plataformas de exportação de etanol. Haverá também fóruns com União Européia, China, Índia e África do Sul com o objetivo de estabelecer padrões para que o etanol vire uma commodity, deslanchando o comércio global do combustível.
O etanol salvou a diplomacia dos EUA na América Latina, já que os americanos perderam a principal moeda de troca com a região, os tratados de livre-comércio. Diante de um Congresso democrata, Bush perde o poder de usar livremente tratados comerciais para atrair países latino-americanos. Os acordos bilaterais andam lentamente porque os democratas querem incluir cláusulas trabalhistas e ambientais. (A.E.)

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