Estados tentam fugir da privatização
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 1997
Agência Folha Brasília 
Dezesseis governadores apresentaram propostas ao Banco Central para evitar a privatização de seus bancos estaduais e saneá-los com ajuda do governo federal. As propostas se enquadram na medida provisória que criou o Proes, programa de socorro aos bancos estaduais que segue a mesma diretriz do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro), destinado aos bancos privados.
De acordo com o Proes, os Estados interessados em manter o controle dos bancos deverão assumir 50% da necessidade de capitalização das instituições. O Tesouro Nacional, neste caso, emprestaria os 50% restantes.
A medida provisória do Proes prevê, além do financiamento de 50% do Tesouro para recuperação dos bancos, outras duas possibilidades: privatização e transformação dos bancos em agências de fomento. O Proes dá prazo até setembro para que os governos estaduais enviem ao BC suas propostas para recuperação de suas instituições bancárias. Depois de receber as propostas, o BC terá até dezembro para decidir o que fazer com os bancos.
A Asbace (Associação Brasileira dos Bancos Estaduais) fará durante a semana um levantamento do custo de recuperação dos bancos mantendo-se o controle acionário com os governos estaduais. Com o levantamento, a Asbace espera poder coordenar a negociação dos Estados com o BC. A maior parte dos 16 bancos registrou prejuízo no primeiro semestre e precisa recorrer frequentemente a financiamentos de outras instituições públicas e privadas para fechar suas contas.
Segundo Ozias Monteiro, presidente da Asbace, o BC precisa decidir rapidamente se vai financiar os bancos que os governadores querem manter estatais para não agravar a situação financeira das instituições. A entidade fez anteontem uma reunião com presidentes de bancos estaduais que não aderiram à privatização para acertar uma estratégia conjunta de pressão sobre o Banco Central.


