Governadores e suas respectivas bancadas no Congresso já pressionam a União a ampliar os recursos destinados a investimentos no Orçamento do ano que vem, quando serão escolhidos seus sucessores, renovado o Legislativo e eleito o novo presidente da República. Dos R$ 5,5 bilhões previstos para aplicação direta por administrações estaduais e municipais, as primeiras emendas preparadas entre as bancadas tentam mais que duplicar, por Estado, os recursos programados pela União.
A disputa por emendas é somada à intensa mobilização para que o governo federal libere o quanto antes a verba para investimentos orçados para 2001. Segundo dados da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, até agosto a União havia liberado apenas 9,2% do total previsto para investimentos neste ano.
Os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do Rio, Anthony Garotinho (PSB), e do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), comandam a chiadeira. Garotinho e Olívio já reuniram suas bancadas para tratar do assunto. Alckmin deverá fazer o mesmo, no dia 15. A bancada paulista pretende somar R$ 350 milhões aos R$ 213 milhões previstos e a gaúcha, outros R$ 297 milhões aos R$ 327 milhões programados.
''Vamos votar contra os projetos de interesse do governo federal para demonstrar nossa indignação'', ameaçou o deputado Márcio Fortes (RJ), secretário-geral do PSDB, dizendo que a bancada fluminense está ''ofendida'' com os R$ 97,4 milhões destinados pelo governo federal.
Fortes pondera que o Rio é beneficiado também pelos investimentos estatais - a Petrobras está aplicando neste ano R$ 1 bilhão - mas afirma que isso não justifica o valor: apenas um quarto do total orçado para 2001. Outro que promete ''bater duro'' é o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), em prol da isonomia na distribuição dos recursos destinados às obras de interesse dos Estados.
Os parlamentares paranaenses tentarão aprovar uma regra que resulte em um tratamento mais equitativo na divisão desses recursos entre os Estados mais desenvolvidos. ''É no mínimo estranho que o Paraná tenha ficado muito atrás do Rio Grande do Sul na previsão das verbas federais para 2002'', ressaltou Hauly. Ele insinuou que a razão pode estar no fato de o Rio Grande do Sul ser governado por um partido de oposição e a União querer marcar presença na região.

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