Curitiba - O Paraná não deverá mais investir na compra de medicamentos considerados excepcionais que não estejam inseridos na lista de remédios que teriam que ser comprados pelo governo do Estado para pacientes carentes. Estes medicamentos, segundo o governador Roberto Requião (PMDB), estariam sendo receitados por médicos comprometidos com laboratórios multinacionais sem qualquer preocupação com os efeitos para os pacientes. Muitos destes remédios não teriam, ao menos, aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
''Temos um problema nacional claro, que é a máfia dos laboratórios multinacionais para a compra de medicamentos excepcionais - impondo preços absurdos e arbitrários, sem qualquer comprovação de eficácia'', reclamou o governador. Ele mesmo teria recebido uma ordem judicial para a compra de um determinado medicamento para um paranaense que custaria R$ 830 mil e teria que ser fornecido por um período de 60 dias. ''O preço é absurdo e vem com sentença judicial. Esse medicamento não tem protocolo e é experimental. Os laboratórios norte-americanos estão fazendo experiências'', denunciou Requião, em entrevista exclusiva à FOLHA.
Dados do governo do Estado divulgados ontem por Requião, demonstram que foram gastos R$ 100 mil para a compra de medicamentos excepcionais em 2004. Para este ano, a mesma quantidade de medicamentos comprados custaria R$ 12 milhões. ''Isso não é máfia? Vou investir R$ 60 milhões em remédios, mas só nos que realmente têm eficácia. Vamos resistir bravamente aos que querem mecanizar os atendimentos'', disse Requião.
O governador disse ainda que as patentes destes laboratórios poderão quebrar o Brasil, caso não seja feita uma regulamentação urgente dos medicamentos que precisam ser, obrigatoriamente, comprados pelos governos estaduais. Esta semana, a Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa questionou o atraso na entrega de medicamentos excepcionais desde fevereiro. Alguns deles com indicações protocolares - como a lamotrigina, que é usada no tratamento da epilepsia e custa R$ 130 a caixa.

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