Curitiba Na condição de acionista majoritário da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), o governo do Estado retoma o controle da empresa na segunda-feira quando fará a indicação de cinco dos nove integrantes do novo Conselho de Administração. Essa será a primeira medida do governo Roberto Requião (PMDB) durante a assembléia em que o conselho se reúne para dar posse à nova diretoria da empresa.
Depois de empossado, o Conselho de Administração vai convocar uma assembléia geral extraordinária onde serão apresentados os projetos de reformas para a empresa. Dentre os quais está a previsão de enxugamento do número de diretorias, que atualmente são sete, incluindo a presidência. De acordo com o advogado Pedro Henrique Xavier, responsável pelo estudo de reestruturação da Sanepar, algumas diretorias estão desempenhando a mesma função e, por isso, poderão ser fundidas. Mesmo assim, o governo já confirmou Stenio Jacob, Hudson Calefe e Domingos José Budel como diretores.
''O projeto de reforma deverá partir do Conselho de Administração'', destacou Xavier. Ele não vê dificuldades na aprovação das reformas porque o governo do Estado terá a maioria dos conselheiros. O Consórcio Dominó Holding, que reúne a Construtora Andrade Gutierrez, o banco Opportunity e o grupo francês de saneamento Vivendi, permanecem com a indicação de três conselheiros e os empregados da empresa, com a indicação de um conselheiro.
Xavier acredita que o Consórcio Dominó vai aproveitar a realização da assembléia do Conselho de Administração para fazer a substituição de um dos conselheiros que está fora do Brasil.
Até agora, as empresas que compõem o Consórcio Dominó não entraram na Justiça contra o decreto de Roberto Requião, que rompeu o pacto de acionistas que vigora na empresa até segunda-feira. Segundo analistas de mercado, os acionistas estão preferindo acatar a decisão do governador, para não entrar numa batalha jurídica que pode depreciar os papéis da empresa no mercado. ''Tanto governo quanto os acionistas do Consórcio Dominó sabem que estão com uma mina de ouro nas mãos e uma briga agora seria dar tiro no próprio pé'', disse o analista Mohamed Talah Júnior, da corretora Century Gestão de Negócios.

mockup