Curitiba - O promotor Lícinio Corrêa de Souza, da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) do Ministério Público (MP) do Paraná, informou ao deputado Ney Leprevost (PP) sobre a existência de três ações civis públicas, contra o Governo do Estado, que envolvem o atraso no fornecimento de medicamentos. As ações foram ajuizadas pelo Centro de Apoio das Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública, do MP, somente durante o mês de maio. A informação é uma resposta a Leprevost, presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, que enviou no final da semana passada um ofício à PIC para descobrir se havia ''algum procedimento investigatório'' sobre a ''crise no fornecimento de remédios''.
No texto do ofício, Leprevost enfatizava que a bancada de apoio ao Governo do Estado no Legislativo não estava colaborando com os seus pedidos de informação sobre o assunto, daí a necessidade de apelar ao MP. Hoje, às 10h30, Leprevost se reúne com o procurador Marco Antônio Teixeira, à frente do Centro de Apoio das Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública, para saber do que se tratam as três ações.
Ontem, o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), afirmou que está ''indignado'' com a atitude de Leprevost. ''Ele agiu de forma despropositada''. Romanelli questiona o fato do requerimento enviado ao MP não ter sido votado dentro da Comissão de Saúde. Leprevost admitiu que o documento foi enviado por iniciativa própria, sem prévia consulta à comissão, já que ''qualquer cidadão pode pedir informações ao MP''. Leprevost também enfatizou que não se trata extamente de um ''requerimento'', e sim de um ''simples ofício''.
Romanelli afirmou que, ao enviar o documento à PIC, Leprevost teria tentado ''criminalizar'' o Legislativo. ''O que a PIC tem a ver com isso? É um absurdo e uma irresponsabilidade''. Leprevost disse que ''irresponsabilidade'' é o Governo do Estado ''deixar pessoas carentes sem remédio'' e explicou que enviou à PIC porque considera a questão ''criminosa''. ''Se eles se ofenderam tanto com a minha atitude é porque tem alguma coisa aí'', atacou Leprevost. Ontem, Romanelli se recusou a receber uma cópia do documento entregue pela PIC a Leprevost. O peemedebista admitiu que já sabia da existência das três ações, mas que não se lembra do que tratavam exatamente.
O atraso no fornecimento de medicamentos teria ocorrido porque o governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), através de decreto, determinou recentemente que ele seria o responsável por autorizar a compra dos remédios. Ontem, Romanelli voltou a enfatizar que o Executivo pretende ''ajustar'' alguns pontos sobre o fornecimento. ''Queremos saber se os critérios estão corretos, se os remédios estão realmente indo para pessoas carentes. Só em 2006, o Estado gastou R$ 186 milhões com medicamentos'', afirmou. A oposição alega indícios de irregularidades na Secretaria de Saúde.

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