O secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, recusou o dinheiro da Prefeitura de Londrina para o pagamento das indenizações aos ex-presos políticos. A informação foi dada à Folha, em resposta ao anúncio feito pelo prefeito Antonio Belinati (PDT), que havia anunciado a disposição de pagar as indenizações de 16 ex-presos de Londrina e ficaria como credor do Estado para futuras operações.
‘‘Acho que a proposta do Belinati tem o objetivo de colaborar. O Estado agradece muito a Londrina, mas não precisa do dinheiro para pagar essas despesas. Até porque já socorremos Londrina quando foi necessário’’, disse Gionédis. Nos primeiros meses do ano passado, quando assumiu a prefeitura, Belinati pediu socorro ao Banestado, que autorizou empréstimos para o pagamento de salários atrasados do funcionalismo municipal.
Gionédis prevê para a próxima semana o pagamento de R$ 5,94 milhões em indenizações a 243 ex-militantes. As indenizações variam de R$ 5 mil a 30 mil. Ele negou que a demora na liberação da verba seja falta de recursos no caixa do Estado. Segundo Gionédis, a tramitação burocrática e a readequação de verbas de um setor para o outro são os motivos pelos quais o dinheiro ainda não saiu.
‘‘Uma coisa é dinheiro. A outra é orçamento. A verba não estava prevista no orçamento e por isso foi preciso fazer a suplementação, aprovada pela Assembléia. Mas para aumentar essa rubrica precisamos cortar outra. Essa operacionalização não se faz só com a lei. É preciso alterar os empenhos, os sistemas’’. Gionédis acredita que ‘‘até a semana que vem essa burocracia estará terminada’’.
Ele disse que os recursos representam índices irrisórios no orçamento do Estado. ‘‘É zero vírgula alguma coisa, considerando o orçamento de 4 bilhões e 900 milhões de reais’’. O índice exato é 0,12%. ‘‘Esse dinheiro não é problema de caixa e sim da operacionalização no orçamento’’, voltou a afirmar.
Gionédis era chefe da Casa Civil quando o governo sancionou a lei, de autoria do deputado Beto Richa (PTB). ‘‘Eu defendi a lei. O projeto tem seu mérito, as pessoas têm direito ao dinheiro, mas não tem jeito de brigar com a tramitação’’.
Ontem, a Folha trouxe reportagem mostrando os problemas de saúde e psicológicos por que passam ex-militantes presos e torturados durante o regime militar. João Einecke, de Londrina, continua internado na Santa Casa. Ele sofreu uma isquemia cerebral (diminuição da circulação do sangue no cérebro). Havia suspeita de Acidente Cerebral Vascular, mas os exames descartaram o problema. A assessoria de imprensa do hospital informou que Einecke está reagindo bem, mas ainda precisará ficar alguns dias em observação. ‘‘Ele estava muito abalado psicologicamente’’, disse Cleusa Carvalho, companheira de Einecke. (P.Z)

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