Curitiba - O governo do Paraná pretende afastar a Ferrovia do Paraná S.A. (Ferropar) da gestão da Estrada de Ferro do Paraná Oeste (Ferroeste). O Estado alega inadimplência por parte da Ferropar, que é um consórcio de várias empresas da iniciativa privada. A direção da Ferroeste, que é uma concessionária pública, autorizou ontem a criação de uma comissão processante formada por três funcionários, que vai iniciar um processo administrativo contra o consórcio, para em última análise destituí-lo. O processo, baixado via resolução, tem prazo de 60 dias e a Ferropar será notificada para apresentar defesa. Essa é mais uma briga do governador Roberto Requião (PMDB) contra grupos privados que administram serviços do Estado.
A decisão de afastar a Ferropar da gestão do trecho de 248 quilômetros de ferrovias entre Cascavel e Guarapuava foi publicada ontem em um comunicado do governo Requião nos jornais. No mesmo comunicado, o governo lançou um desafio aos setores produtivos: estabelecer um ''novo modelo de gestão e assumir a Ferroeste''. O governo propõe que a sociedade discuta o modelo público-privado de utilização da ferrovia.
A briga de Requião com a Ferropar se arrasta desde o ano passado, quando o governador criticou a falta de cumprimento de metas por parte do consórcio. A crise se agravou no mês passado. No dia 15 de janeiro, o Estado esperava receber da Ferropar que adquiriu a concessão da Ferroeste em 1996, durante o governo Jaime Lerner (PSB) uma parcela de R$ 3,2 milhões, referentes ao arrendamento. A Ferropar depositou apenas R$ 553 mil.
Segundo o diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes dos Santos, a Ferropar alegou desequilíbrio econônico-financeiro nos contratos. Ele disse que, além desse caso da inadimplência, ainda há outro processo administrativo contra a Ferropar, por não ter investido, desde 1996, R$ 126 milhões previstos. Santos afirmou que a Ferropar só investiu cerca de R$ 3,6 milhões no período. De acordo com ele, a Ferropar teria deixado de adquirir maquinário adequado, e também não teria transportado o volume de toneladas previsto.
Em janeiro de 2000, durante a gestão Lerner, a empresa renegociou os valores pagos pela concessão. A Ferropar foi a única interessada no leilão da Ferroeste. Pagou o preço mínimo, R$ 25,6 milhões. A companhia é um consórcio entre a Gemon Geral de Engenharia e Montagens, FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Pound S.A. e América Latina Logística (ALL). Por esse valor, o consórcio comprou o direito de explorar a ferrovia por 30 anos.
Procurado pela Folha, o presidente da Ferropar Aníbal Falcão não quis dar entrevista ontem. Disse através de sua assessoria que vai esperar a notificação do governo do Paraná para manifestar-se.

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