RIO DE JANEIRO - O governo do Estado do Rio iniciou ontem o pagamento das primeiras 40 indenizações de R$ 20 mil para presos políticos que sofreram torturas físicas e psicológicas em dependências policiais do Estado entre 1º de abril de 64 e 15 de agosto de 79. Luis Zizi de Oliveira, 73, um dos beneficiados, chorou ao receber um cheque de R$ 20 mil no Palácio da Guanabara, sede do governo do Estado, em solenidade.
''Como reparação financeira, posso dizer que esse dinheiro veio em boa hora. Mas nenhum dinheiro pagaria o que eu vivi'', disse Oliveira, que ficou preso durante quatro meses e foi torturado nas dependências do DOI-Codi do Rio. Ele diz ter sido libertado sem condições de reconhecer a própria família após intensos choques elétricos. Foi preso acusado de subversão por ser militante do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).
Oliveira levou à cerimônia as cartas que enviou para a mulher no tempo em que esteve preso, em 1970. Todas diziam que ele estava ''muito bem e feliz'' para que assim pudessem chegar às mãos da mulher.
A Comissão de Averiguação e Análise de Informações Sigilosas, criada na semana passada para discutir a abertura de arquivos oficiais, fará hoje em Brasília sua primeira reunião com três itens na pauta: o relatório sobre a guerrilha do Araguaia, elaborado por um grupo interministerial, a incineração de documentos confidenciais na Base Aérea de Salvador e a criação de regras para o funcionamento da própria comissão.
Após analisar esses casos, a comissão deve se debruçar sobre todos os documentos classificados em poder do governo, em especial os papéis do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações) e os arquivos diplomáticos do Itamaraty. A maior parte do trabalho só ocorrerá no ano que vem.
O grupo é formado por sete ministérios: Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Advocacia Geral da União, Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria Especial de Direitos Humanos e a Casa Civil, que coordena os trabalhos. A comissão foi instituída por medida provisória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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