Curitiba - Embora sustente no orçamento a marca de mais de R! 1 bilhão anual em investimentos, o governo do Estado não chega a executar integralmente o recurso. Do valor total reservado dentro do orçamento de 2008 para investimentos, R$ 1,687 bilhão, pouco mais da metade foi empenhado, R$ 940 milhões. Em 2009, até julho, R$ 395 milhões foram empenhados, de um total de R$ 1,733 bilhão reservado para investimentos. Ou seja, embora a metade do ano já tenha passado, só cerca de 22% da quantia reservada se tornou ‘‘concreta’’.
  Segundo o diretor-geral da Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral, José Augusto Zaniratti, ‘‘há várias razões’’ que podem impedir que uma determinada obra se realize, embora prevista no orçamento. ‘‘O problema mais comum de atraso envolve o processo licitatório. Há casos em que nenhuma empresa se interessa pela licitação ou a empresa derrotada questiona o resultado da licitação no Judiciário. O governador Requião também pode deixar de homologar uma licitação por alguma razão. Também tem os problemas de ordem financeira da própria empresa, que para de fazer a obra no meio do caminho. E tem os recursos da União, que nem sempre são liberados a tempo’’, explica ele.
  ‘‘A construção de uma penitenciária, por exemplo, pode durar dois anos entre o orçamento e o início da obra. As negociações são lentas, porque são feitas dentro das regras. A receita nem sempre realiza do jeito que a gente deseja’’, justificou ele.
  O setor que diretamente sofre com a falta de investimentos públicos é o da construção civil. Investimento é basicamente a criação de infraestrutura permanente, daí a participação do setor. O diretor-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge/PR), Valter Fanini, destaca que um estudo divulgado no último dia 28 revelou que, no Paraná, a relação entre os investimentos públicos e o Produto Interno Bruto (PIB), de 2001 a 2007, ficou em 0,77%, na 23ªposição entre todos os Estados brasileiros mais o Distrito Federal. O Paraná possui o quinto maior PIB do País. O estudo foi realizado pelo Dieese, a pedido do Senge/PR.
  Para Fanini, o impacto do corte nos investimentos de 2009 anunciado pelo governo do Estado só não é maior porque o setor já acompanharia um cenário de ‘‘baixo investimento’’. ‘‘O investimento público aqui já tinha deixado de ser o carro-chefe’’, declarou ele. Antes da crise econômica internacional, contudo, o setor tinha expectativa de melhora. ‘‘A gente esperava uma retomada, mas foi o voo da galinha, porque a crise não passou longe’’, disse ele.

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