Curitiba - Ex-presos políticos foram indenizados ontem pelo governo do Paraná por conta dos prejuízos sofridos durante a ditadura militar. Ao todo foram pagos R$ 1,4 milhão para 91 pessoas que foram presas entre 1961 e 1979. A indenização estava prevista numa lei editada durante o governo Jaime Lerner (PSB). Dos 174 pedidos protocolados, 83 foram indeferidos pela Comissão Especial de Indenização a Ex-presos Políticos que analisou todos os casos no ano passado. O valor das indenizações variou entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, dependendo do período em que a pessoa ficou presa e as sequelas sofridas.
Ex-presos políticos ou os seus herdeiros tiveram o direito de entrar com um processo de solicitação de indenização, desde que a própria pessoa ou um parente tivesse meios de comprovar a prisão por ação política. As provas podiam ser documentos ou mesmo depoimentos de testemunhas. Nenhum caso de desaparecimento de pessoas foi protocolado. O ex-radialista Ladislau Alberto de Lima, de 71 anos, foi um dos indenizados. Ele era locutor em Mandaguaçu (16 quilômetros a Noroeste de Maringá) e foi procurado pelos militares para fazer propaganda política gratuita para candidatos de direita em 1961.
Por ter se recusado, ele foi preso logo depois do golpe militar em 1964. ''Quando virou, eles me pegaram na rua e me levaram preso. De Mandaguaçu fui levado para Londrina e depois para Curitiba. Deixei por quatro meses minha mulher e meus três filhos, que ainda eram pequenos'', relatou ele. Na época, o radialista tinha 30 anos. Depois que voltou para casa, ele não mais conseguiu trabalho. ''Entrei em depressão profunda. Não conseguia mais ir para o rádio. E olha que fui locutor dos bons'', contou. Evangélico, hoje ele mora em Maringá.
O político Getúlio Saboldi, de 67 anos, também foi preso ao lado do pai e de um irmão. Ele pertencia ao partido de oposição à ditadura militar e atuava no Sudoeste do Estado. ''Fomos arrancados de dentro de casa pelos policiais militares'', contou. O pai ficou tão deprimido com as humilhações sofridas que morreu dois meses depois da prisão, aos 69 anos. Getúlio tinha 23 anos e não abandonou a ideologia de esquerda. Ele chegou a ser vereador de Barracão (90 quilômetros a Oeste de Francisco Beltrão).

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