Estado de emergência: um mês sob controvérsias
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terça-feira, 05 de julho de 2011
Vinícius Zanin <br> Reportagem Local 
O ''estado de emergência'' na Saúde por 90 dias, decretado pela Prefeitura de Londrina, completa hoje um mês de vigência sob controvérsias. A medida foi tomada após a deflagração da operação Antissepsia, pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que desmontou um esquema de notas frias e cobrança de propina entre agentes públicos e os institutos Gálatas e Atlântico, que prestavam serviços de Saúde ao município até o dia 8.
A secretária Municipal de Saúde, Ana Olympia Dornellas, fez uma análise positiva do período, e afirma que o procedimento está caminhando para a solução dos problemas envolvendo a saúde pública. ''Nós conseguimos controlar a situação fazendo essa contratação direta. Os profissionais foram retomando, até com uma certa rapidez, os postos de trabalho. Tivemos, inclusive, uma motivação maior, porque houve aumento na remuneração desses profissionais'', afirma.
A secretária destaca que está sendo preparado o ''teste seletivo'' para a contratação de 479 servidores, em 26 cargos diferente. ''Só estamos aguardando a aprovação do projeto na Câmara. Precisamos que isso seja concluído até o final dos 90 dias.''
De acordo com a Secretaria de Saúde esses servidores aprovados no teste seletivo terão contrato de trabalho assinado por um ano, prorrogáveis pelo mesmo período. Dornellas afirmou que não vai ser aberta licitação pra realização das provas, que deve ficar a cargo da própria secretaria.
A secretária informou ainda que foi elaborado um dossiê contendo todas as informações acerca deste primeiro mês. ''Ali estão contidos todos os dados e resoluções. Isso nos garante a transparência necessária de que tudo que está sendo feito para alcançarmos os nossos objetivos, que é resolver o problema da saúde no município.''
Já o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, avalia que o procedimento não tem caminhado tão bem. Ele deve enviar hoje um ofício à Secretaria de Saúde, requisitando informações sobre a prestação do serviços. ''Tão logo foi decretada a situação, nós determinados que a nossa equipe de Serviço Social visitasse os locais de prestação de serviço. Foi constatado que efetivamente há uma insuficiência de profissionais médicos atendendo, não só nas UBs (Unidades Básicas de Saúde), mas também nos pronto atendimentos.''
O representante da Associação Médica de Londrina (AML) no Conselho Municipal de Saúde (CMS), José Luiz Camargo, revelou que o órgão tem tido pouca participação nas decisões tomadas pela Pasta. ''O Conselho não foi solicitado a opinar sobre nenhuma das atitudes tomadas pela prefeitura.''
Ana Olympia se defende alegando que compareceu, em assembleia, realizada pelo conselho na última terça-feira, e entregou a todos os membros uma cópia do dossiê elaborado pela secretaria. ''Todas as atitudes foram passadas pro Conselho. Não existe a deliberação, mas eles tem abertura total pra estarem vindo e rebater, questionar e dar palpite.''


