Leandro Donatti
De Curitiba
Kraw PenasJUNTA MÉDICAOs médicos Paulo Ayrosa (C) e Nelson Szpeiter (D) com colega do Hospital Santa Cruz (E): preocupação com Aníbal agora também se relaciona à diurese, segundo disseram no último boletim, emitido no começo da noite de ontemO estado clínico do presidente da Assembléia, Aníbal Khury, era considerado muito grave no início da noite de ontem, conforme a junta médica que o acompanha desde a terça-feira, quando foi internado no Hospital Santa Cruz, do bairro Batel, em Curitiba. ‘‘O quadro é muito grave, ainda que não na intensidade de ontem (sábado), quando atingiu o surto máximo de gravidade possível, em consequência das complicações coronarianas’’, traduziu às 21h10 o gastroenterologista João Batista Marchesini.
No horário em que falou com a Folha, Marchesini estava descansando. Ele ratificou a situação exposta no último boletim médico, divulgado às 18 horas, em que o quadro clínico de Aníbal era estimulador comparado às condições do dia anterior. Assinado por cinco médicos, o boletim dava conta que ‘‘os sinais vitais continuavam estáveis’’, e que o deputado ‘‘passou um dia tranquilo, sem dor, encontrando-se sedado’’.
Ainda conforme o boletim das 18 horas, Aníbal respira com assistência mecânica e utiliza um número menor de drogas vasopressoras. Em comparação ao período da manhã, apresentou melhora. A atenção dos médicos, ontem, se concentrou no funcionamento dos rins de Aníbal. ‘‘A despeito de função renal aceitável, a preocupação no momento se prende a diurese do paciente. As condições coronarianas e da cirurgia abdominal não constituem preocupação no momento’’, informava ainda o boletim do final da tarde. Ontem, estudava-se a possibilidade de Aníbal fazer hemodiálise.
O quadro estável do início da noite permitiu à mulher do deputado, Dona Niva Khury, de deixar o hospital para descansar em casa, às 19h51, mas ela retornou ao hospital às 22 horas. O prazo de permanência do deputado na UTI não tem mais previsão para terminar.
‘‘A situação é muito grave, mas está em ascendência’’, dizia Marchesini na metade do dia. Pela manhã, o diretor clínico do Santa Cruz, Nelson Szpeiter, estimava em ‘‘30% as chances de recuperação’’ de Aníbal. Segundo ele, a recuperação é lenta e o ‘‘processo de polarização (alastramento de problemas para outros órgãos)’’ foi desencadeado pelo infarto do dia anterior.
‘‘Com toda a dificuldade, ele está reagindo’’, tranquilizava Marchesini, após a emissão do boletim das 18 horas. ‘‘Estamos subindo uma escada’’, completou Gilson Yared, o cardiologista da junta. ‘‘É muito difícil fazer um prognóstico preciso porque o doente é bastante diferente. O deputado foge à regra’’, classificou Marchesini. Ele e Yared explicaram que só submeteriam o presidente da Assembléia à hemodiálise se o quadro de insuficiência urinária persistisse. O deputado produzia ontem algo em torno de 40 centímetros cúbicos de urina por hora. O normal, de acordo com os seus 110 quilos, seria produzir 70 centímetros cúbicos, calculou a equipe médica.
Os médicos não acreditavam que a polarização devesse atingir mais algum órgão vital de Aníbal. ‘‘É o que esperamos. Se as coisas continuarem como estão (contornando o problema do coração e o dos rins), ficamos muito felizes. Se piorarem, sabemos o que fazer’’, disse Marchesini. O trabalho da equipe médica foi acompanhado durante parte do dia pelo médico paulista Paulo Ayroza, chefe da UTI do Hospital Sírio Libanês. Ele desembarcou em Curitiba pela manhã e retornou a São Paulo no final da tarde. (Colaboraram Mari Tortato e Giovani Ferreira)

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