Curitiba - A Diretoria de Relações com Investidores da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) publicou ontem um comunicado ao mercado informando a aprovação do aumento social da estatal na reunião da última segunda-feira do Conselho de Administração (CAD). Na reunião, o segundo maior acionista - a Dominó Holdings - votou contrário. O aumento de capital deverá ser de R$ 617 milhões, valor da dívida da Sanepar com o governo do Estado por conta de empréstimos e financiamentos realizados ao longo dos últimos anos. Os créditos do governo serão transformados em 140 milhões de ações ordinárias (com direito a voto).
Hoje, o governo do Estado é o maior acionista com um capital total de 52,5% da composição do capital social da Sanepar. A Dominó conta atualmente com 34,7% do capital social, prefeituras municipais com 0,6% e acionistas privados minoritários com 12,2%. Se forem contadas apenas as ações ordinárias, com direito a voto, o Estado detém atualmente 60% das ações. O CAD deverá marcar uma Assembléia Geral Extraordinária nos próximos dias para expor a decisão de aumentar o capital social do governo do Estado. A assembléia é restrita aos acionistas que poderão decidir aportar recursos equivalentes ao do governo do Estado para continuar com o mesma participação na estatal.
Após a reunião da Assembléia Extraordinária, a Lei das S.A. dá 45 dias de prazo para os sócios se manifestarem. Se nem a Dominó Holdings nem os outros sócios minoritários acompanharem o aumento, caberá ao governo arcar sozinho com os valores pretendidos.
''O aumento de capital resolve o problema tarifário e vamos continuar investindo'', apostou o governador Roberto Requião (PMDB). A briga entre o governo Requião e o Consórcio Dominó Holdings (que comprou 115 milhões de ações ordinárias da Sanepar em junho de 1998) iniciou em fevereiro de 2003 quando Requião baixou um decreto anulando o pacto que dava poderes de decisão para a holding sob a alegação de que a empresa de saneamento era estatal.

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