O prefeito eleito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT) acredita que três fatores vão contribuir para que em dois anos o município se recupere e a administração petista consiga superar os problemas da dívida estimada em R$ 210 milhões. O principal deles será a economia ‘‘natural’’ que a prefeitura terá com a ausência de desvios e superfaturamento em obras. Só nos últimos três anos da atual administração, o Tribunal de Contas constatou um rombo de R$ 36 milhões.
Os outros dois fatores de contribuição para a administração que toma posse hoje, às 17 horas, na Câmara, seriam a economia em razão de uma nova organização para eficiência no serviço público e o aumento da arrecadação. Para José Cláudio, assumir em meio a tantas denúncias de corrupção aguça ainda mais a vontade de trabalhar. ‘‘É o nosso partido que vai colocar um fim nisso tudo’’, garante.
Aos 48 anos, José Cláudio é o primeiro prefeito eleito do PT em Maringá. Segundo ele, governar como oposição ao governo do Estado e sem maioria na Câmara não será difícil porque o partido prioriza a administração popular.
Folha O senhor sabe como vai encontrar a prefeitura?
José Cláudio Uma prefeitura endividada, em completa desorganização administrativa e com um descrédito da população muito grande. Mas o que mais preocupa é o desencanto do quadro de servidores. Então, o grande desafio é o de motivar a categoria para ser uma grande parceira em nossa administração.
Folha Qual foi o principal problema detectado durante o levantamento realizado pela equipe de transição?
José Cláudio A desorganização administrativa. Hoje não tem uma ordenação, um eixo, um planejamento e nem trabalho de integração entre as secretarias. A Prefeitura de Maringá está mais ou menos como um jogo de futebol em que se coloca 11 pessoas em cada lado do campo e cada uma faz o que acha melhor.
Folha Vai haver redução de cargos comissionados, secretarias e até do quadro de servidores?
José Cláudio Vamos reduzir os cargos comissionados dos atuais 330 para 140. Vamos também reduzir as funções gratificadas, mas não vai haver redução de secretarias. Também não haverá redução do quadro de servidores e sim muito remanejamento.
Folha O senhor vai manter a Monreal (empresa para cobrança de impostos)?
José Cláudio A Monreal está fora. O contrato foi feito para cobrar R$ 48 milhões de débitos vencidos da prefeitura. O contrato não fala em débitos por vencer.
Folha A Prefeitura de Maringá tem dívidas milionárias por conta de contratos rompidos com empresas privadas. Mesmo assim, o senhor vai romper também com a Tecpark (sistema que controla o estacionamento rotativo)?
José Cláudio A multa de R$ 20 milhões que a Tecpark diz ter direito é uma espécie de pressão que os diretores da empresa fazem. Na verdade a multa não passa de R$ 1 milhão se for levada às últimas consequências na Justiça. Seria uma inconsequência e uma vaidade do prefeito quebrar um contrato só por conta de uma birra, então vamos discuti-lo judicialmente.

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