'Essência' da economia ficará, diz presidente
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sábado, 11 de novembro de 2006
Eduardo Scolese<br> Folhapress 
Brasília - No momento em que setores do PT e da base aliada do governo sugerem mudanças e ajustes nos rumos da política econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a ''essência'' do atual modelo será mantida em seu segundo mandato. Prometeu ''seriedade'' e ''responsabilidade'' e, sem antecipar detalhes, falou na possibilidade de adotar uma política de desoneração.
Em rápida entrevista no Palácio do Planalto, o presidente rotulou de ''batido'' o discurso sobre cortes de gastos e declarou que o modelo econômico, que afirma ter sido um sucesso no primeiro mandato, poderá agora ser ''aperfeiçoado'' e ''aprimorado''. Lula e os ministros que integram a equipe econômica do governo preparam um pacote de medidas para acelerar o crescimento do país, principalmente no campo da infra-estrutura, o que deve ser anunciado em semanas.
''Não precisa mudar a política econômica na sua essência, ela tem de ser aperfeiçoada, aprimorada. Porque, eu vou repetir, nós não abriremos mão da responsabilidade econômica e da responsabilidade fiscal.''
Ontem pela manhã, Lula recebeu a visita do economista Luciano Coutinho (Unicamp), que sugeriu ao presidente medidas de desoneração em políticas de investimentos. Horas depois, na entrevista, Lula adotou uma linha parecida: ''Não estamos discutindo apenas no âmbito da infra-estrutura, mas também no âmbito da política de desoneração e da política fiscal. Ou seja, precisamos destravar o país para que ele cresça''.
Rejeitando diretamente as idéias de mudanças nos rumos da economia, Lula pediu ''seriedade'' e atacou as ''mágicas''. ''Quem tem a minha idade já acordou muitas vezes com mágicas na economia que não deram certo depois. Nós vamos crescer com responsabilidade, vamos continuar controlando a inflação, com responsabilidade fiscal. É essa seriedade que vai nos dar condições de ter um ciclo de crescimento.''
Sobre eventuais cortes de gastos, mais uma vez descartou a idéia: ''Os cortes de gastos já fazem parte de um discurso já meio batido. Acontece que tem pouco de onde cortar''.


