Essas instituições têm um poder econômico muito grande
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domingo, 25 de outubro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As igrejas cristãs do Brasil têm muito dinheiro em caixa. A conclusão é do estudo realizado em agosto pelo Instituto Análise. ''Não quero especular qual o destino desse dinheiro. O que detectamos é que essas instituições têm um poder econômico muito grande'', diz o presidente do instituto, Alberto Carlos Almeida. Os dados mostram que, em média, os evangélicos de igrejas não-pentecostais doam mais que outros fiéis, com ofertas mensais de R$ 45,26, contra R$ 10,27 dos católicos não praticantes, os fiéis menos generosos.
No Sul, no entanto, a pesquisa detectou que são os católicos praticantes os que ofertam mais à Igreja. Por mês, esse grupo doa R$ 31,16. Os não-pentecostais doam R$ 14,64. Os pentecostais entregam, em média, R$ 28,43 à igreja e os católicos não praticantes ofertam R$ 2 por mês.
Para Almeida, há um empenho das igrejas em arrecadar recursos. ''Muitas colocam a oferta como uma troca, quanto mais for doado, mais Deus vai dar em troca'', destaca. A pesquisa mostra que, embora tenham menos fiéis, as igrejas evangélicas arrecadam mais que a católica. No total, são R$ 1,032 bilhão mensal dos evangélicos e R$ 680 milhões dos católicos.
Para o pastor Hilquias Anunciação Paim, presidente da Convenção Batista Paranaense, ''a movimentação de recursos nas igrejas é algo disforme''. ''A Igreja Batista não é agressiva na coleta'', diz. ''Na Igreja Batista cada congregação tem autonomia financeira. Os fiéis sabem quanto é arrecadado e onde se investem esses recursos'', informa.
Já o vereador por Curitiba pastor Valdemir, da Igreja Universal do Reino de Deus, credita a prosperidade dos evangélicos à prosperidade dos próprios fiéis. ''As pessoas vêm para a igreja porque tem problemas. Quando se ligam com a fé a vida começa a melhorar e normalmente acontece a alegria de querer ajudar'', explica.
Na Igreja Católica, segundo o coordenador da Comissão da Dimensão Econômica e Dízimo da Cúria, João Coraiola Filho, o dízimo e as ofertas coletadas são utilizados na manutenção da paróquia. ''O dinheiro tem três destinos: a dimensão religiosa, a missionária e a social do trabalho paroquial'', explica. Uma paróquia de tamanho médio em Curitiba tem, segundo Coraiola, arrecadação média de R$ 15 mil por mês.


