"Essa é a primeira de muitas vitórias pela frente" diz Mario Takahashi
Após conseguir habeas corpus no TJ, o vereador afastado desde janeiro de 2018 pela Operação ZR3 retoma mandato na Câmara e reafirma inocência
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Após conseguir habeas corpus no TJ, o vereador afastado desde janeiro de 2018 pela Operação ZR3 retoma mandato na Câmara e reafirma inocência
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

Após 17 meses longe do cargo, o vereador Mario Takahashi (PV) retornou à Câmara Municipal de Londrina na sessão dessa quinta-feira (13) de maneira discreta. Cumprimentou antigos colegas, funcionários e conversou com seus advogados. Entretanto, no plenário não usou a palavra neste retorno. Apenas o vereador Jamil Janene (PP) fez uma defesa do colega que foi afastado por medida cautelar pedida pelo Ministério Público no âmbito da Operação ZR3.
A ação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Apoio Especial no Combate ao Crime Organizado) apura suposto esquema de cobrança de propinas para alterações de zoneamentos em Londrina a fim de atender a interesses particulares. Além de Takahashi, outro vereador réu na operação e que segue afastado do cargo é Rony Alves (PTB).
Em coletiva de imprensa, Takahashi disse que não existe constrangimento na convivência com os vereadores que em setembro do ano passado votaram favoravelmente pela cassação do mandato dele. "Constrangimento é uma sensação de estado de espírito. Se eu fizesse algo de errado, eu ficaria constrangido. Como não foi o caso, eu não feri nenhum princípio moral, eu nunca cometi crime, eu nunca tomei decisão pautada em interesse privado. Então, eu não fico constrangido com essa situação toda. Mas cada qual que proferiu seu voto terá que conviver com sua consciência", disse.
Foram 12 votos favoráveis à cassação - incluindo Valdir dos Metalúrgicos, seu suplente que deixou o cargo na última terça (11). Três vereadores votaram contra a perda dos mandatos de Takahashi e Rony Alves. À época, ainda foram registradas três abstenções, além da ausência de Felipe Prochet (PSD). O quórum necessário para perda de mandato era de 13 votos.
TEMPO
Para Takahashi, a decisão do Tribunal de Justiça que determinou o restabelecimento do mandato com um Habeas Corpus é considerada pela defesa dele como a primeira vitória dentro do processo criminal que corre em primeiro grau. "Eu avalio com muita tranquilidade. O tempo é o melhor dos remédios. Essa foi a primeira vitória na esfera judicial e acredito que até o final da sentença de mérito nós teremos muitas vitórias." Dentro da ZR3 está agendado para outubro o interrogatório dele e dos outros 12 réus. As testemunhas já foram ouvidas pelo juiz Délcio da Rocha Miranda, da 2ª Vara Criminal de Londrina.
Desde que a operação foi deflagrada, em janeiro de 2018, Takahashi estava proibido de frequentar o prédio do Legislativo, da Prefeitura de Londrina e de manter contato com demais réus e de se ausentar da cidade sem autorização judicial. Segundo ele, as medidas cautelares são uma garantia para sua defesa no processo e por enquanto irá cumpri-las. "Não se alterou as demais cautelares, mas nós vamos ver com o passar do tempo se há necessidade de pedir a revogação. No meu entendimento é necessário que para exercer a função de vereador, é importante participar de reuniões em prédios públicos."
MUDANÇA DE ZONEAMENTO
O vereador disse que vai agir com naturalidade sobre temas relacionados à mudança de zoneamento ou ao Plano Diretor. "Se eu achar por bem me afastar de algum debate eu vou me manifestar. Mas eu vou avilar bem apenas para evitar um falatório sobre essa subjetividade toda que eu me encontro, eu vou evitar algumas questões."
Questionado sobre a denúncia de um empresário que alega que o vereador pediu propina para propor projeto de lei, Takahashi mais uma vez voltou a dizer que não há provas. "Foi uma denúncia caluniosa. Estou envolvido neste processo não por ações minhas. Foi um telefone sem fio criado em Londrina. Não tem nenhuma prova. Quem acusa tem que provar."
Quando foi afastado, Takahashi ocupava a presidência na Câmara Municipal, mas em dezembro do ano passado foi feita uma eleição para a nova Mesa Executiva. O seu então vice da Casa, Ailton Nantes, encabeçou a única chapa inscrita. Já Rony Alves também é alvo da investigação e permanece afastado. Nestes meses, os parlamentares conseguiram na Justiça o direito de receber seus salários, incluindo o ressarcimento de vencimentos não pagos nos primeiros meses de distanciamento das funções.


