A reboque do PFL, que saiu na frente contra a medida que aumenta o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e corta os incentivos regionais, os partidos de esquerda decidiram ontem que vão se articular contra o pacote fiscal do governo. Reunidos com representantes da ala do PMDB que rejeita a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, os líderes dos partidos de oposição resolveram estender à ação parlamentar no Congresso a união em torno de um candidato único ao Palácio do Planalto.
‘‘Nossa estratégia é uma ação articulada de todas as forças de esquerda não só contra a quebra da estabilidade do funcionalismo, mas também contra o aumento do Imposto de Renda e o corte dos incentivos fiscais’’, resumiu o anfitrião do encontro e presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE). ‘‘Viemos aqui num ato de solidariedade à resistência de Paes, para fazer um apelo ao presidente Fernando Henrique: que tire as mãos do PMDB e deixe que o partido siga sua história’’, resumiu o líder do PT, José Machado (SP).
Presentes ao encontro, os líderes do PT, PSB, PDT e PC do B na Câmara avaliaram que o aprofundamento da crise financeira internacional demonstrou o quanto a economia brasileira está vulnerável. ‘‘O fundamental é a nossa união para derrotar esse modelo neoliberal que fragiliza o País’’, disse o líder do PSB, Alexandre Cardoso (RJ). Ele vai aproveitar o congresso nacional dos socialistas amanhã, em Brasília, para propor o apoio a uma agenda comum, com as oposições e o PMDB, para enfrentar problemas como o desemprego.
Os líderes programam para o início do ano uma reunião dos intelectuais de todos os partidos para discutir a proposta de programa de governo que os representantes da frente das oposições preparou. Por prudência e excesso de candidatos, todos se recusaram a tratar de nomes.
O esforço para mostrar que a chapa PT-PDT, com o presidente de honra petista, Luiz Inácio Lula da Silva, para presidente, e o presidente nacional pedetista, Leonel Brizola, para vice, não está fechada, ficou por conta do presidente do PT, José Dirceu. Enquanto os líderes se reuniam na casa de Paes, Dirceu almoçava com o senador Roberto Requião (PMDB-PR), um dos presidenciáveis do PMDB.

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