O presidente do honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que não vê mais possibilidades de um acordo para uma candidatura única dos partidos de oposição à sucessão de Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno das eleições de 2002. ‘‘Acalentamos um sonho por mais de um ano, sonhamos por muito tempo, mas, agora, não vejo possibilidades disso’’, disse.
Indiretamente, Lula responsabilizou o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes pela dificuldade de formação de uma chapa única das esquerdas. Ciro também vê dificuldades para a constituição desta candidatura única, mas voltou a defender a discussão, pela oposição, de uma agenda econômica como forma de mostrar à opinião pública que, se um candidato de esquerda for eleito, agirá com responsabilidade, mantendo os pilares da economia estabelecidos pela equipe econômica de FHC: estabilidade fiscal e monetária.
Ciro está preocupado com o fato de agências de classificação de risco divulgarem que uma eventual vitória de um candidato da esquerda levará o País à instabilidade econômica. ‘‘Mesmo que os partidos de esquerda não formem uma chapa única, os candidatos precisam agir com responsabilidade e fechar a agenda como sinalização positiva para os demais países’’, afirmou. Ciro voltou a dizer que a candidatura dele é irreversível, a menos que haja articulação para uma ampla chapa da oposição, que inclua até mesmo Itamar Franco (PMDB).

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