Esquerda tenta acelerar frente contra Lerner
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Os partidos de esquerda (PT, PC do B, PPS, PCB e PDT) reuniram-se ontem em Curitiba para retomar as costuras em torno de uma frente única de oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) nas eleições do ano que vem. O processo de discussão estava em banho-maria nos últimos dias. Os petistas ficaram acuados com a reação do presidente nacional do PT, José Dirceu - que afirmou ser favorável a aproximação com o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, somente mediante rompimento dos tucanos do Paraná com o governo federal -, mas não desistiram da idéia.
O presidente estadual do PT, ex-deputado federal Pedro Tonelli, diz que a frente de esquerda vê com bons olhos a união da oposição contra o atual governo. O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida é muito bem visto como candidato ao governo. E vamos acelerar esse processo de formação da frente, emenda. Tonelli diz que PT, PCB, PC do B, PPS e PDT discutem durante os próximos 15 dias um plano de governo alternativo ao de Lerner. Definiremos os eixos que para nós são fundamentais para depois voltarmos a entrar em contato com o senador Roberto Requião (PMDB) e o ex-governador Álvaro Dias para nova rodada de negociação, informa.
A direção do PT prepara para sábado, em Curitiba, um encontro com as principais lideranças do partido e sua militância. A idéia é promover um debate, sem poder deliberativo, sobre as estratégias políticas que a sigla deve adotar em 98. É uma preparação para a convenção dos dias 22 e 23 em Maringá. É um espaço que estamos abrindo para todo mundo falar e soltar suas cobras e lagartos, brinca o dirigente, numa referência à polêmica que se criou depois da conversa da cúpula com o presidente da Telepar.
A direção do PT incumbiu-se ainda de preparar o terreno junto às principais lideranças internas que reagiram contrariamente à postura adotada pelo comando com relação ao PSDB estadual. Um comunicado assinado pelo secretário-geral Roberto Salomão foi distribuído internamente para os deputados estaduais, federais, vereadores e dirigentes municipais. O documento faz um balanço da conversa do partido com o presidente da Telepar, colocando-a num mesmo patamar que a reunião tida anteriormente com o senador Requião, em Curitiba.
O comunicado deixa claro que a conversa com Álvaro foi positiva, mas não deliberativa. E minimiza a questão ao afirmar que a avaliação dos companheiros presentes à reunião é que a conversa foi positiva e que é necessário continuar explorando o antagonismo entre Álvaro e Lerner. A carta considera ainda que há sérios obstáculos à efetivação de uma aliança. Para o PT, há no momento uma tarefa essencial: a discussão do nome do candidato a governador e seu lançamento no encontro de Maringá.


