Esquerda se une em bloco para lançar Ciro em 2010
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sábado, 12 de maio de 2007
Moacir Assunção<br> Agência Estado 
São Paulo - Um grupo de deputados de vários partidos pretende provar a falsidade da antiga máxima segundo a qual ''a esquerda só se une na cadeia''. De quebra, integrantes de legendas como o PDT, PSB e PC do B - além de outras menores como o PHS, PMN, PAN e PRB - têm intenção de demarcar um território dentro do governo como um contraponto à influência de ''rivais'' de direita como o PTB, PP e PMDB que também integram a base aliada.
Ao mesmo tempo, o bloco de esquerda ou bloquinho, como é conhecido o grupo de sete partidos que conta com 78 deputados, já avisou que terá um candidato às eleições presidenciais de 2010, independente da posição do PT: o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE). Ele é considerado pelos líderes do grupo candidato certo à disputa presidencial. ''É o nosso melhor nome e tem grande expressão nacional. Ele tem se mostrado muito animado para a eleição'', afirmou o deputado Márcio França (PSB-SP).
O bloco de esquerda reúne um número de deputados que o coloca como na posição nada desprezível de terceira força no Congresso, logo após o próprio PT (com 82 deputados) e o PMDB (com 93 parlamentares). A definição do nome do ex-ministro, campeão nacional de votos para o Legislativo, pode trazer problemas na base governista - uma vez que o próprio presidente Lula não poderá concorrer a um terceiro mandato e ainda busca um nome com viabilidade eleitoral no partido para sucedê-lo no Planalto.
E não é só. Nas eleições municipais do próximo ano, de acordo com Márcio França, o bloco lançará candidatos nas principais cidades do País. Em São Paulo, os preferidos são o ex-presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B), a deputada Luiza Erundina (PSB) e o deputado Paulinho da Força (PDT).
Nomes competitivos - No Rio, o bloco - que deverá ser formalizado no dia 22 deste mês, com o lançamento de um manifesto único - tem como nomes mais fortes para disputar a prefeitura no próximo ano os deputados Miro Teixeira (PDT) e Jandira Feghalli (PC do B). Todos os candidatos divulgarão o próprio nome e, simultaneamente, o de Ciro, fazendo a propaganda do socialista dois anos antes da eleição presidencial.
De acordo com França, o mesmo método será repetido nas capitais e nas 100 principais cidades do País. ''Temos nomes competitivos nas 27 capitais. O bloco de esquerda nasceu para ficar. Não foi somente uma criação com vida curta surgida na época da eleição da Câmara'', afirmou o deputado, um dos principais articuladores do grupo. O bloco da esquerda espera conquistar pelo menos um terço dos votos nestas regiões e 25% das prefeituras das capitais.
Além da força política, o bloco tem cargos, já que os parlamentares ligados a ele ocupam três ministérios - Esporte, Trabalho, Ciência e Tecnologia - e são cotados para controlar a recém-criada Secretaria de Portos.
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, garantiu que o partido não vê o bloco da esquerda como uma ameaça. ''Os partidos somados têm um tamanho semelhante ao do PT. Não os enxergamos como algo negativo, já que eles são nossos aliados.''


