São Paulo As eleições para a renovação dos diretórios nacional, estaduais e municipais do PT acontecem no próximo domingo, mas, confiantes na existência de um segundo turno, as esquerdas fecharam um pacto que consiste em apoiar qualquer um dos três candidatos que passar para a segunda etapa do pleito. O objetivo comum é derrotar o campo majoritário, que domina o partido há 10 anos, quando o deputado José Dirceu (SP) foi eleito presidente da legenda pela primeira vez.
Pelas projeções do próprio campo majoritário, há o risco de a corrente perder o controle do partido, independentemente do resultado da eleição para presidente. Nas eleições, os petistas votam separadamente nos candidatos a presidente e nas chapas. Um observador atento do campo faz cálculos e acredita que a tendência deverá conquistar cerca de 40% dos assentos do diretório, que é composto por 81 membros.
O candidato do campo majoritário, Ricardo Berzoini (SP), já sentiu que, mesmo que saia vencedor do pleito, dificilmente fará a maioria para ajudá-lo a reconstruir um partido despedaçado. Na semana passada, integrantes da chapa de Berzoini, vinculados à ex-prefeita paulistana Marta Suplicy, anunciaram que não votariam nele. Na sexta-feira, ele tentava atrai-los novamente.
''A situação, que envolve importantes setores de São Paulo, merece todo um esforço político para chegarmos a um entendimento que signifique preservar a votação na chapa e na candidatura Berzoini'', declarou Paulo Ferreira, secretário de Relações Internacionais do PT e um dos coordenadores da campanha do Campo.
Volver à esquerda Enquanto Berzoini tenta reagrupar forças, as esquerdas seguem cada qual seu rumo, mas com olhos no segundo turno, marcado para 9 de outubro. ''Caso eu não vá para o segundo turno, apoiarei automaticamente qualquer um dos três candidatos contra o campo majoritário'', disse Valter Pomar, da Articulação de Esquerda, que tem abrigado alguns desertores da candidatura Berzoini.
A união das esquerdas contra o campo majoritário tem apoio também de Raul Pont, da Democracia Socialista (DS). ''O discurso que Berzoini defende é o continuismo do modelo que vem dirigindo o partido e dando o tom para o governo'', critica. ''Estamos em um movimento para unir as esquerdas no segundo turno.''
A deputada Maria do Rosário (RS), do Movimento PT, também aderiu ao pacto. Faz ressalvas, porém, ao candidato da Ação Popular de Esquerda (APS), Plínio de Arruda Sampaio. ''Teríamos dificuldade em nos unirmos a ele porque suas propostas significam um rompimento com o PT.''
Para Maria do Rosário, a importância de reduzir a força do campo majoritário está na busca do ''equilíbrio'' entre as correntes internas do partido. ''Somos movidos não pelo desejo de derrotar quem quer que seja, mas de ter um programa comum e sem autoritarismo.''
Plínio de Arruda Sampaio é o único que não se empolga muito com o discurso da união das esquerdas. ''Não tenho decisão formada sobre o assunto'', disse.
Na última eleição interna, em 2001, o campo majoritário obteve 51,7% dos votos. Depois, conseguiu a adesão de correntes como o Movimento PT e um grupo ligado, ironicamente, ao próprio Berzoini. Assim, sua presença foi potencializada e o domínio atingiu mais de 60% do Diretório Nacional.
Foi com essa maioria que o então presidente do PT, José Dirceu, dobrou o partido para aceitar um vice do PL na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2002, e que o ex-presidente José Genoino conseguiu aprovar resoluções em defesa de alianças com partidos como o PTB e o PP.
Agora a situação é diferente. A chapa do campo majoritário tem entre seus integrantes cinco dos sete parlamentares acusados de se beneficiar do esquema de Marcos Valério Fernandes de Souza, entre eles o próprio Dirceu, que, embora não apareça na lista de sacadores, é apontado em relatório das CPIs dos Correios e do Mensalão como o ''mentor'' das irregularidades. Ele nega.

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