Esquerda rebate acusações de Cardoso
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaAo ataqueGenoíno: presidente administra como candidato e não como estadistaA cobrança do presidente Fernando Henrique Cardoso pela votação das reformas provocou ontem uma dura reação das esquerdas e acirrou os ânimos no Congresso. A oposição respondeu que não pode ser culpada pelo atraso das reformas constitucionais, e até aliados do governo defenderam o Congresso da acusação, implícita no discurso do presidente. Não se pode relacionar a crise nas bolsas com a necessidade de se aprovar urgentemente as reformas, afirmou o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP).
Temer disse acreditar que o efeito da crise deve melhorar a disposição dos deputados de votar rápido as reformas administrativa e previdenciária, atendendo ao apelo do presidente Fernando Henrique. Mas não se pode apostar nada quanto ao resultado das votações, alertou.
Os partidos de oposição insistiam ontem que a crise fora prevista diversas vezes pelos setores esquerdistas. O presidente da República radicalizou ao culpar a oposição e está administrando a crise como candidato, não como estadista, criticou o deputado José Genoíno (PT-SP). Nesses termos, a oposição recusa essa união nacional, acrescentou, fugindo a seu tom moderado.
O apelo patético do presidente Fernando Henrique está carregado de oportunismo, acusou o líder do PT, deputado José Machado (SP), antes de ir à tribuna para descarregar uma série de críticas à base parlamentar do governo, que chamou de inconsistente. Machado atribuiu a essa base a estagnação das reformas previdenciária e administrativa. Provocou a imediata reação do líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA).
Todas as pesquisas apontam que a sociedade brasileira quer o fim dos privilégios, e o que a sociedade não pode perder é a estabilização da economia, que foi muito difícil de conseguir, rebateu Luís Eduardo. O apelo do presidente é um pedido de apoio e mais uma vez a oposição não compreendeu, emendou.
O bloco de oposição quer aproveitar o momento para reativar o debate em torno de seus projetos de reformas fiscal e previdenciária. As reformas são para melhorar as injustiças sociais do País, e não para resolver crise provocadas pelo embaraço que o governo fez com o câmbio e os juros, criticou a deputada Conceição Tavares (PT-SP).
Setores da esquerda propõem discutir alternativas para a crise. Não fomos nós que fizemos esse modelo, insistiu o deputado Marcelo Deda (PT-SE). Hoje à tarde os partidos de oposição promovem no Congresso uma reunião com economistas, entre eles o dirigente petista Aloízio Mercadante.
Em meio aos ataques de colegas ao governo, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) se mostrava mais cauteloso e defendia um projeto a curtíssimo prazo para o desenvolvimento nacional e reversão da crise, envolvendo linhas de crédito à agricultura, programa de capital de giro a juros subsidiados para o comércio, negociação internacional para tomada de empréstimos com taxas justas de juros para evitar ataques especulativos à moeda e interrupção do processo de privatizações.


