Esquerda prepara programa de governo
Esquerda prepara programa de governo
Objetivo é responder a FHC, que diz que oposição não tem alternativas para o país
Consolidada a frente das esquerdas de sustentação à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a presidente, a definição de um programa de governo com metas políticas simples e claras é considerada prioritária e urgente pelo comando da candidatura. A idéia é apresentar propostas capazes de funcionar como instrumento de campanha. Não dá para distribuir um calhamaço de programa de governo para a sociedade, alertou o governador Miguel Arraes (PE), presidente do PSB aos coordenadores da legenda nas tarefas sobre esse tema.
Lula faz questão de ter um programa comunicativo - independente dos recursos de marketing eleitoral para isso -, diferente do que produziu o PT nas últimas campanhas. Se o partido e a frente não tiverem esse projeto claro para o Brasil, é difícil apresentar-nos como uma opção ao projeto do presidente Fernando Henrique Cardoso, resumiu o presidente do PT paulista, Antônio Palocci.
É por meio desse programa que a frente quer rebater o discurso de Fernando Henrique exposto na entrevista ao jornal espanhol El Mundo, esta semana. O presidente acusou Lula e a oposição de não ter propostas alternativas às suas para o País. Apostando na tendência de queda das intenções de voto para o tucano, apresentar o quanto antes tais propostas é tido como missão urgente à chapa.
Um grupo formado por integrantes de todos os partidos da frente - PT, PDT, PSB e PC do B - já está trabalhando nisso. Em novembro do ano passado, foi distribuído um texto com vários princípios a serem incluídos no projeto, mas marcado especialmente pela análise da conjuntura nacional.
Antes de acertar o rumo final do programa de governo, o PT ainda precisa consolidar sua política de alianças e a frente, o que será definido no encontro nacional do partido a partir de hoje, em São Paulo. Os petistas precisam garantir, no voto de cerca de 550 delegados, o apoio do diretório fluminense à candidatura de Anthony Garotinho (PDT) ao governo. A aliança no Rio é condição exigida pelo ex-governador Leonel Brizola para fechar a coligação nacional e disputar a vice-presidência pela chapa.
A avaliação é de que a defesa dessa coligação deve prevalecer no encontro, mesmo porque é da aliança que depende a candidatura de Lula. Não há problema entre os partidos da frente para acertar o programa de governo, relatou o líder do PSB na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ). Essa é a primeira eleição do Brasil da esquerda contra a direita, numa luta clara, e por isso o programa é tão importante.
Cada um dos partidos está trocando entre si suas propostas individuais. Dentro do PSB, o coordenador da área é Roberto Amaral. No PT, Marco Aurélio Garcia e Aloizio Mercadante, ambos do diretório nacional, tratam do tema.(AE)





