Esquerda petista defende choque ético
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domingo, 29 de maio de 2005
Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Em meio ao esforço do governo Lula para diminuir o desgaste diante de denúncias de corrupção, parlamentares e intelectuais petistas lançam hoje no Rio o movimento Esquerda do PT, com um pacote de sugestões para um ''choque ético'' no governo. Entre as propostas, estão novas regras para preenchimento de cargos em comissão; afastamento das autoridades que estão sendo investigadas; fim das emendas individuais de parlamentares, que facilitam a concessão de recursos federais em troca de apoio no Congresso; retomada da reforma política; e o pedido de permanência do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, chefe do Ministério Público.
A reunião será marcada também pela solidariedade aos parlamentares que votaram a favor da abertura da CPI dos Correios, depois de o chefe da Casa Civil, José Dirceu, dizer que os rebeldes deveriam estar fora do partido. Alguns desses parlamentares estarão presentes. ''Estamos querendo uma agenda positiva e não punitiva'', diz o deputado federal Chico Alencar (RJ), um dos que apoiaram a CPI. O deputado lembrou que a bancada do PT não se reúne com o governo federal desde outubro de 2003.
''Pior sem Lula'' - Escolhido para fazer a palestra de abertura, o sociólogo Emir Sader disse esperar que o presidente Lula perceba que ''está órfão à esquerda e à direita'', pois enfrenta muitas críticas dentro do próprio PT e, por outro lado, ''a elite brasileira tradicional tem um representante orgânico, que é a aliança PSDB/PFL''. ''Se Lula se der conta, pode dar uma virada'', afirmou Sader, ao ser questionado sobre a disputa presidencial de 2006.
Embora esteja próximo da esquerda petista, Emir Sader diz que o grupo ''perdeu a oportunidade de se unir''. O sociólogo propõe que toda mobilização seja voltada para a crítica à ''política econômica de direita, liberal, que leva ao fracasso das políticas sociais, porque só permite os programas compensatórios e assistencialistas''. ''A esquerda terá de se pronunciar entre Lula de um lado e o direitismo de outro. Ruim com Lula, pior sem Lula'', disse o sociólogo sobre a sucessão de 2006.
O presidente, na avaliação de Sader, ao perder o apoio dos movimentos sociais, foi obrigado a recorrer à barganha política para formar a base aliada. ''O fato de não ter usado a força social que tinha o fez perder a força moral para conseguir maioria. Com o discurso do início do governo, ele poderia receber adesão pelo respeito que se tinha por ele. Mas passou a ganhar aliados na base do troca-troca.''
Para Sader, a esquerda deve permanecer no PT em vez de buscar alternativas, com a formação do PSOL de ex-petistas como Heloísa Helena (AL), Luciana Genro (RS) e João Batista Babá (PA). ''O PSOL fracassou como tentativa de catalisar o descontentamento geral. Eles vão ter 15 minutos de glória na campanha presidencial e dificilmente elegerão um deputado. O ultra-esquerdismo os isolou'', afirmou Emir Sader.


