Esquerda já acolhe petistas frustrados
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sábado, 30 de julho de 2005
Epaminondas Neto<br> Folhapress 
São Paulo - Legendas de esquerda, como PDT, PPS e PSOL admitem que estão em contato com petistas frustrados com os rumos de seu partido e não apostam na tese da ''reconstrução'' defendida pelo presidente nacional da sigla, Tarso Genro.
Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, as eleições internas do PT, marcadas para o dia 18 de setembro, devem ser a senha para a revoada dos petistas. Eles virão de setores que, já insatisfeitos com os rumos do governo e rivais dos detentores do poder na sigla, não botam suas fichas nas eleições internas.
''Estamos sendo procurados diariamente por várias forças políticas insatisfeitas com os rumos que o PT tomou no poder e estamos avançando nas conversações. O que nos interessa nesse momento é o projeto para o país e configurar uma aliança em que se coloque a esquerda do PT como uma alternativa porque parece que o Brasil está entre o Valério do PT e o Valério do PSDB'', disse o presidente nacional do PDT, Carlos Luppi.
O PSOL, que finaliza sua legalização, confirma que já recebeu um núcleo de militantes do PT da região de Cotia, interessados em abrir um diretório da nova legenda no município. A sigla, que surgiu de uma fratura do PT, também recebeu a adesão da corrente ''Alternativa Socialista'', localizada principalmente no Rio Grande do Sul e que conta com pelo menos 80 militantes.
André Ferrari, da Executiva nacional do PSOL, afirma que setores do PT, ligados principalmente ao candidato à presidência nacional do PT Plínio Sampaio são os mais prováveis a saírem do partido e migrarem para outras legendas de esquerda. Ele cita a MUS (Movimento de Unidade Socialista) como um exemplo.
''Eles estão no PT, a saída ainda não é uma decisão deles, mas eles apontam para uma ruptura com o PT'', afirma Ferrari, que acrescenta: ''a esquerda do PT não tem uma posição unificada''.
O PPS também confirma conversações com integrantes do Partido dos Trabalhadores em nível federal, mas também nos Estados, como Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco. O secretário-geral Rubens Bueno, no entanto, afirma que para os convites serem feitos, será necessária a desfiliação dos petistas. ''Nós recebemos pressões para receber uns 25 deputados entre 2003 e 2004, mas não aceitamos, até porque, nós não íamos aceitar uma coisa daquelas'', disse ele.


