Esquerda faz apelo a Itamar
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Em um dia de negociações entre os líderes de esquerda e deles com o ex-presidente Itamar Franco, o nome do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB) ficou enfraquecido como possível candidato de oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso nas eleições presidenciais de 1998. Os presidentes do PT, José Dirceu, e de honra do PSB, Jamil Haddad, fizeram apelos para que Itamar Franco se una à frente de oposição ao governo federal.
Vou pedir ao Itamar que entre na oposição radicalizada contra o Fernando Henrique, disse Dirceu, antes de se encontrar com o ex-presidente, hospedado no Hotel Glória, na zona sul. O atual embaixador do Brasil nas Organizações dos Estados Americanos (OEA) encontrou-se também com Haddad, seu ex-ministro da saúde, que defende a candidatura de Franco para a presidência. Para o líder do PSB, o perfil do Itamar inspira mais consciência do que Gomes.
Ciro apoiou o movimento de 1964 e foi da Arena, atacou o presidente nacional do PSB. Ele é contrário à formação de uma chapa formada pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente do PDT, Leonel Brizola. Isso repetiria os erros do passado e só os votos da esquerda não elegeriam o presidente, explicou.
Antes de encontrar-se com Franco, Dirceu reuniu-se por três horas com Brizola, no apartamento do ex-governador do Rio, na Avenida Atlântica. Na saída, atacou medidas que Ciro considera básicas para ingressar em uma frente de centro-esquerda, como privatizações e mudança tributária que concentrasse a cobrança de impostos sobre o consumo.
O choque do imposto sobre o consumo leva à derrota eleitoral, e a privatização não tem nenhuma viabilidade para reduzir o déficit público, disse o presidente do PT, para quem a simples discussão do programa mínimo defendido por Ciro é futurologia, porque o ex-ministro ainda não se filiou a algum partido de oposição.
Dirceu e Lula encontram-se ontem com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), no Recife. Na quinta-feira, eles estarão em Brasília (DF), onde, ao lado de Brizola e do presidente do PC do B, João Amazonas, discutem o programa de campanha para a união das esquerdas em 1998. O programa foi novamente discutido ontem, em Belo Horizonte, por militantes do PSB, PDT, PT e PC do B.
O presidente do PT anunciou que vai denunciar no Exterior a nova lei eleitoral caso ela seja aprovada com os pontos defendidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A nova lei tomou boa parte da reunião com Brizola, segundo Dirceu.
O líder petista informou que a campanha contra a nova lei vai acontecer se hoje a Câmara dos Deputados aprovar os pontos que havia rejeitado na primeira votação da matéria, como a permissão para o presidente inaugurar obras durante a campanha. Segundo o líder petista, existe essa possibilidade. Estamos sentindo vacilação de setores do PMDB que haviam fechado acordo conosco na primeira votação.
A mudança mais criticada por Dirceu é a proibição de imagens externas na propaganda eleitoral de rádio e TV. O governo quer tirar da televisão o desemprego, o problema da saúde e a questão agrária, disse.


