Esquerda do PT pede choque ético-político
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terça-feira, 05 de julho de 2005
Denise MadueÀo e<br>Guilherme Evelyn<br> Agência Estado 
Brasília - Deputados da esquerda do PT fizeram ontem um movimento por uma mudança total na direção nacional do partido, pela demissão dos ministros que respondem processo no Supremo Tribunal Federal (STF) e um choque ''ético-político'' por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota assinada por 20 deputados petistas, o grupo combate ainda a proposta de déficit zero ''capitaneada por Delfim Netto, czar da economia na ditadura militar''. ''A proposta de déficit zero não ataca a questão essencial, que é a brutal dívida pública multiplicada pela maior taxa de juros do mundo'', disse o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), um dos signatários da nota.
Na linha de propor mudanças, o grupo argumenta que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve sinalizar pela inflexão da política econômica, com a retomada da queda de juros, redução do superávit primário e o investimento público. Nessa direção, o grupo considera que a proposta de Delfim vai na contra-mão da rota, com um aperto fiscal ainda maior e com cortes orçamentários.
Os deputados petistas afirmam que o presidente Lula tem de mudar as relações com o Congresso. ''O governo Lula, neste ano e meio que tem pela frente, precisa produzir um choque ético-político. Deve requalificar sua base de apoio parlamentar, eliminando qualquer acordo baseado em troca de votos por cargos ou liberação de emendas parlamentares'', afirma o documento.
Ao defender a saída de ministros que estão sendo investigados, o grupo petista reforça na nota que ''ministros acusados de ilícitos pela Procuradoria Geral da República, que respondem a processos no Supremo Tribunal Federal, já deveriam ter sido afastados há muito tempo'', em referência ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e ao ministro da Previdência, Romero Jucá. ''Em português claro, já vão tarde'', resumiu o deputado Chico Alencar (PT-RJ), outro signatário.
A esquerda petista representada no documento defende a recomposição de toda a Executiva do PT provisoriamente até setembro, quando haverá o processo de eleição interna no partido, com a saída de todos os dirigentes acusados.
Para o grupo, além de garantir transparência ao partido, a direção provisória deve criar uma comissão de sindicância para realizar uma auditoria nas contas partidárias, apurando eventuais responsabilidades de dirigentes em relação às denúncias.


