'Esquerda' do PT defende mudança na economia
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - Documento elaborado por oito correntes de esquerda do PT e divulgado no Salão Verde da Câmara por um grupo de deputados, propõe mudança na política econômica, exige a adoção de mecanismos para permitir a participação popular nos rumos do governo e defende que a relação entre o Executivo e sua base no Congresso seja feita sem o ''troca-troca fisiológico, que tem caracterizado a política institucional'' no País. O documento também prega o resgate da ética e defende a autonomia do partido em relação ao governo e critica o PSDB como oposição de ''direita''. Esses pontos estão citados na chamada ''Carta aos petistas'', elaborada após o seminário realizado na última segunda-feira em São Paulo.
A carta servirá de base para as correntes de esquerda discutirem internamente no partido, já com a perspectiva da eleição que, em setembro de 2005, vai escolher o novo diretório e o presidente do PT. ''Queremos que essas idéias cheguem aos 700 mil filiados do partido'', afirmou o deputado Chico Alencar (PT-RJ). ''Essa é a bancada do amém. Não queremos manter essa mesma postura no ano que vem. Queremos discutir os programas de governo e não sermos constrangidos a votar'', disse o deputado Doutor Rosinha (PT- PR).
No documento, os petistas citam diversas vezes o PSDB como ''direita'' que precisa ser derrotada. ''Derrotar o PSDB, a velha e a nova direita, o grande capital e seus aliados nacionais e internacionais, exigirá uma mudança na orientação seguida por nosso partido e por nosso governo'', informa o documento. Em outro ponto, analisa que ''o PSDB se reafirmou, em 2004, como o centro político organizador da nova direita brasileira, capaz de articular e fornecer um discurso e uma tática comuns para a oposição existente no Judiciário, nos governos estaduais, no grande empresariado e nos meios de comunicação''.
Ainda no documento, os petistas afirmam que a mudança na orientação geral do partido é o melhor caminho para ''derrotar a oposição de direita, capitaneada pelo PSDB, que dedicará os próximos dois anos a um só objetivo: articular um bloco político-eleitoral, com o apoio do poder econômico e dos grandes meios de comunicação, que seja capaz de nos derrotar nas próximas eleições presidenciais''.
O documento é assinado pelas seguintes correntes do PT: Articulação de Esquerda, Democracia Socialista, Alternativa Socialista, Construção: Socialismo e Democracia, Esquerda Democrática, Esquerda Socialista, Movimento Socialista Cabano e Tendência Marxista, além de alguns parlamentares considerados independentes, ou seja, que não integram tendências.


