Esquerda decide radicalizar discursos
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 1998
Wilson Tosta e Felipe Werneck Agência Estado 
O comando da campanha da frente das esquerdas decidiu radicalizar ainda mais o seu discurso sobre a crise econômica na tentativa de provocar a realização do segundo turno na disputa pela Presidência. O candidato da coligação a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, gravou ontem de manhã um pronunciamento para o programa eleitoral da noite, em que conclamou os eleitores a fazer uma opção entre a estabilidade monetária do País, que quer encarnar, e o governo da mentira e da especulação, segundo ele representado por FHC. Economistas dos partidos de esquerda deram ontem entrevistas em que avaliaram que o Brasil quebrou e que a saída de dólares deverá continuar esta semana.
Os economistas também participaram do programa que Lula gravou no Hotel Glória, mas não deram depoimentos. Eles se reuniram entre a noite de sexta-feira e madrugada de ontem no Rio para discutir a crise. A reunião foi marcada na quinta-feira, depois que o governo anunciou a elevação da taxa de juros para 49,75%. Participaram o presidente nacional do PT, José Dirceu, o coordenador-geral da campanha, Luís Gushiken, o coordenador de programa de governo, Marco Aurélio Garcia, e os economistas Reinaldo Gonçalves, Guido Mantega, Theotônio dos Santos, Jorge Mattoso, Eduardo Callado, e Adhemar Mineiro.
Além de avaliar que a elevação dos juros não vai estancar a crise de fuga de capitais, os economistas de oposição ressaltaram que a medida vai agravar ainda mais a crise. O aumento assusta os investidores, que passam a achar que virá uma desvalorização cambial ou uma moratória, e destrói a política de corte de gastos públicos, disse Santos. Segundo ele, é preciso mudar a política econômica de imediato, pois não haverá tempo de esperar a troca de governo. Se não forem irresponsáveis, tomam novas medidas na próxima (nesta) semana, afirmou Mantega. Ele propôs controle cambial, baixar as taxas de juros, reforma tributária e restrição das importações ao essencial.


