Esquerda cria programa de governo
Ariosto Teixeira
Agência Estado
De Brasília
O lançamento de um manifesto subscrito por 115 políticos e intelectuais de esquerda, na quinta-feira, na Câmara dos Deputados, teve como objetivo interromper o debate interno sobre candidaturas presidenciais no campo da esquerda para 2002. Esta é a substância dos motivos apresentados pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, para que os partidos da oposição adotem como estratégia a construção prévia de um programa mínimo de governo, capaz de sustentar efetivamente uma candidatura à presidência da República.
O líder do PCdoB, Aldo Rebelo (SP), disse, sem citar nomes, que os projetos presidencialistas individuais que já se insinuavam na oposição tenderiam a produzir a dispersão completa das forças de esquerda. Dos presidenciáveis que supostamente poderão se lançar por uma frente de esquerda, apenas Itamar Franco não assinou o manifesto.
Subscreveram o manifesto o ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), o ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), o deputado José Genoino (PT-SP), a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e o próprio Lula.
Com o lançamento do Movimento Cívico em Defesa do Brasil, da Democracia e do Trabalho, entende-se agora como sendo parte de um cálculo o comportamento recente do líder do PT, José Genoino. Desde que a hipótese das candidaturas Cristovam e Garotinho ganhou espaço na mídia, com possibilidades de crescimento no campo da centro-esquerda, Genoino passou a se apresentar também como pré-candidato. E lançou a controvérsia sobre o fim do socialismo como sistema de administração econômica.
A idéia é fazer com que tome conta dos corações e mentes da esquerda a discussão teórica sobre a natureza da revolução brasileira, se socialista e de ruptura, ou se simples aperfeiçoamento da democracia liberal de mercado. Trata-se de um debate exclusivo da esquerda e que se instala com pelo menos dez anos de atraso. Daí o sentimento de coisa vista produzido pela leitura das nove páginas do manifesto.





