Esquerda cobra solução do PT para apoiar Lula
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Unidos até quando?Brizola (e) cumprimenta o deputado José Genoino, líder do PT: ultimato para que os petistas resolvam impasse no RioOs dirigentes dos partidos de esquerda decidiram ontem dar um ultimato ao PT: só apóiam a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República se houver uma solução para o Rio de Janeiro. Os presidentes do PDT, PT, PC do B e PSB, além de Lula e de deputados de todos os partidos, reuniram-se em Brasília por mais de quatro horas para debater a crise das esquerdas, iniciada após decisão do diretório do PT do Rio de lançar candidatura própria ao governo do Estado. Segundo o presidente do PT, José Dirceu, se essa decisão não for modificada não há condição de Lula ser candidato à Presidência.
No final de semana o PT do Rio negou apoio ao canditado do PDT ao governo, Anthony Garotinho, e lançou a candidatura de Vladimir Palmeira. Havia um acerto da direção nacional do PT com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, para o apoio a Garotinho. Com a decisão, o PT do Rio provocou o racha na frente. Ontem, ao encontrar Lula, o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, sugeriu a intervenção no diretório regional do Rio de Janeiro. Lula e Dirceu disseram que o PT não tem esta prática e que a solução passaria pelo encontro nacional do partido, a instância máxima petista. Brizola rebateu dizendo que se o PT não tem controle sobre sua militância não conseguirá a governabilidade em um estado de greve.
No final da reunião, Lula afirmou que somente será candidato com o apoio da frente de oposição. Disse não ser candidato de um partido, mas da frente de esquerdas. Ele lamentou a decisão do diretório do Rio de Janeiro e disse que o lançamento da candidatura do PT atrapalhou a união com o seu mais próximo aliado, o PDT.
O ex-governador Leonel Brizola afirmou que não é candidato a presidente no caso da desistência de Lula. Segundo ele, neste momento é preciso haver unidade. Uma pequena minoria está impedindo um movimento nacional, como este da frente, afirmou. Brizola disse que daqui para a frente é preciso saber quem é quem. É preciso construir a união, para derrotar o Arenão que hoje governa o País.
No final do encontro, José Dirceu considerou a decisão do Rio uma afronta ao que foi obtido até agora, com a possibilidade de 14 palanques unidos nos governos estaduais. A frente disse bem claro para o PT que só será mantida se for resolvida a questão do Rio.
Da reunião em Brasília, que deveria começar às 17 horas e foi antecipada para as 14 horas, participaram, além dos presidentes dos partidos e de Lula, o governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), o líder do PT, Marcelo Déda (SE), o líder do PSB, Alexandre Cardoso (RJ), o líder do PDT, Miro Teixeira RJ), além de deputados dos quatro partidos de esquerda.
O PDT gaúcho reapresentou ontem a candidatura da senadora Emília Fernandes (PDT/RS) ao governo do Rio Grande do Sul. A decisão, tomada pela direção regional, mais as bancadas federal, estadual e municipal, é uma resposta ao fato de o PT do Rio ter se negado a apoiar a candidatura de Anthony Garotinho.
É um golpe na candidatura Olívio Dutra (PT), que deveria receber o apoio dos pedetistas, caso o PT do Rio não optasse pela candidatura do ex-deputado federal Vladimir Palmeira. Agora, a oposição estará dividida para enfrentar a coligação de centro-direita (PPB, PFL, PTB, PSDB) que respalda o governador Antonio Britto (PMDB), candidato à reeleição. (A.E.)





