Esquerda aposta na via nacionalista
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de agosto de 1997
Agência Folha 
Porto Alegre
Agência Estado
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No mesmo barcoLula e Cárdenas, prefeito da Cidade do México, conversam no encerramento do encontro: fórmula de consenso para combater o neoliberalismoA esquerda latino-americana, depois de alguns êxitos e da perspectiva de outros triunfos eleitorais, já não faz do socialismo a aposta única para combater o neoliberalismo. A conclusão foi tirada ontem, no encerramento do Foro de São Paulo, em Porto Alegre. O documento do fórum, que reuniu 58 partidos de vinte países, faz menção apenas genérica ao socialismo, e mesmo assim graças à persistência de um grupo de delegados, inconformados com a versão original do texto, que omitia o tema. Para superar o neoliberalismo receita-se, no documento oficial, desde opções nacionalistas e democrático-populares até a perspectiva socialista.
A proposta tirada reflete, em grande parte, o peso do PT e da Frente Ampla (Uruguai) na comissão que elaborou o texto. Contou, também, com o entusiasmo causado em alguns partidos com a vitória eleitoral de Cuauhtémoc Cárdenas (PRD), recém-eleito prefeito da Cidade do México. Vamos transformar os países pela via pacífica, disse Cárdenas em seu discurso na sessão de encerramento do fórum.
Em linhas gerais, o texto aprovado avalia que a esquerda vive um momento de ascensão na América Latina e repete chavões contra os Estados Unidos. Inova, para os padrões dos signatários, em trechos como o objetivo supremo do desenvolvimento deve ser a satisfação das necessidades materiais e espirituais do ser humano, com justiça social e harmonia com a natureza.
O tom genérico é justificado também pela composição ideológica não-monolítica dos participantes. Os organizadores reconheceram, até, que estão diante de uma encruzilhada. Vivemos um impasse pela heterogeneidade das forças, que às vezes não têm muita expressão em seus países, afirmou Marco Aurélio Garcia (PT), um dos coordenadores do evento.
O fórum foi encerrado com uma homenagem ao guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, celebrizado por sua atuação na Revolução Cubana. Outra concessão aos grupos mais à esquerda foi a emenda que admite, sobre formas de luta, reflexão maior nos países em que o governo atua de forma militarizada. No limite, abre-se campo para a hipótese luta armada.
Luiz Inácio Lula da Silva quebrou ontem a tradição de ficar apenas dez minutos testemunhando as intermináveis discussões e acompanhou a sessão de encerramento. A edição de 98 do Foro de São Paulo foi marcada para a Cidade do México.


