Esquenta disputa na Assembléia
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quarta-feira, 22 de novembro de 2000
De Curitiba 
A disputa pela sucessão de Nelson Justus (PTB), o primeiro presidente da Assembléia do Paraná depois da morte de Aníbal Khury (PFL), está pegando fogo. O primeiro-secretário, deputado estadual Hermas Brandão (PTB), e o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), brigam nos bastidores pelos votos de 52 deputados. Favorito, Hermas já tinha ontem uma chapa ideal para vencer: ele encabeçando a chapa; Tony Garcia (PPB) como o primeiro vice-presidente; Valdir Rossoni (PTB) como primeiro-secretário; e Caíto Quintana (PMDB), na segunda secretaria. O acerto, entretanto, dependia, por volta das 20 horas, de uma conversa com deputados da situação e da oposição, ou 14 votos.
O primeiro passo para Hermas virar presidente foi dado no início da tarde. Ele apresentou requerimento, com o aval de 23 dos 54 parlamentares, solicitando a antecipação da eleição de fevereiro para dezembro. Isso facilita ainda a indicação de Justus para os Transportes, informação confirmada pelo governador Jaime Lerner ontem. O pedido de antecipação deve passar.
Lerner disse que não pretende intrometer-se em território dos deputados. Porém, o governador defendeu um arranjo entre os aliados. Eu gostaria e respeitaria muito uma composição, declarou ontem. Assim como na briga pelo espólio político de Aníbal Khury, em setembro de 99, Lerner trabalha no anonimato, valendo-se de interlocutores. Rossoni garante que tem o apoio oficial. No entanto, pelo menos até ontem à noite, o clima era de que o lobby de Hermas convenceu o governador a entrar de cabeça na sua campanha.
Sou candidato e tenho o apoio político do governador. Na segunda-feira, o governador manifestou o apoio a minha candidatura, junto com o chefe da Casa Civil (Alceni Guerra), reagiu Rossoni ontem. Não ouvi que o governador tivesse dado apoio oficial ao Rossoni, repicou Hermas. Se o governo acertou isso, esqueceu de me avisar. Isso é fantasia. Não sei a quem interessa enfraquecer a minha candidatura. Acredito que são pessoas que estão perdendo espaço no atual processo político, reafirmou Rossoni.
O primeiro-secretário já tem planos: Vou criar um plano de cargos e salários para o funcionalismo e fazer uma Assembléia mais forte frente ao governo, conseguindo as verbas que necessita, discursava ontem. Rossoni disse que seria falta de ética fazer promessas envolvendo a atual gestão. (Leandro Donatti e Israel Reinstein).


