Curitiba - O delegado federal Paulo de Tarso Gomes, da Diretoria de Inteligência Policial em Brasília, apontou ontem as transações financeiras feitas pelo Banestado como exemplos típicos de lavagem de dinheiro. As negociações eram feitas em Foz do Iguaçu, através da remessa de dólares para o exterior. O destino era sempre Nova York. ''Essas investigações ocorrem de forma acelerada. Não dá para adiantar os resultados, mas posso garantir que tem coisa grande por aí'', afirmou ele, que é integrante da Coordenação Geral de Repressão ao Crime Organizado e de Investigações Especiais.
Em todo o Brasil, cerca de US$ 10 bilhões por ano são movimentados através da lavagem de dinheiro, pelos seus cálculos. Cerca de US$ 500 bilhões por ano são lavados em todo o mundo o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) do Canadá. Os métodos mais comuns para lavagem de dinheiro são transações bancárias, aplicações, compra e venda de imóveis, paraísos fiscais, loteriais, sorteios, bingos, companhias seguradoras, mercado de jóias e pedras preciosas e superfaturamento de produtos através da exportação.
Em 90% dos casos de lavagem de dinheiro, crime tipificado no Brasil a partir de 1998, os criminosos usam casas de câmbios para trocar moeda. As chamadas contas CC-5 Carta Circular nº 5, editada pelo Banco Central (BC) em 1969 para facilitar a vida dos estrangeiros que vinham para o Brasil começaram a ser usadas para a lavagem de dinheiro em 1994. Na ocasião, o BC autorizou a remessa de valores para o exterior. Investigações preliminares no Paraná detectaram que mais de US$ 7,1 bilhões haviam sido enviados para fora do Brasil em nome de ''laranjas'' (serventes, pedreiros, empregadas domésticas). ''É claro que esses laranjas não estavam lavando dinheiro. Eles foram usados. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal levantaram o esquema e até hoje busca punir os culpados''.

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