Uma contabilidade paralela foi montada pelas empresas envolvidas na fraude com recursos do Ministério do Turismo para mascarar o real destino do dinheiro de convênios com o Estado do Amapá e facilitar, segundo as investigações, o trânsito do dinheiro: a conta da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP). Em depoimentos prestados ao Ministério Público e entrevistas ao Estado, acusados de envolvimento no esquema revelaram detalhes da operação e afirmaram que a deputada pode ter recebido mais de R$ 1,5 milhão.

Nessa estratégia de disfarçar o destino do dinheiro desviado, um dos suspeitos revela ter assinado 60 cheques em branco em nome da Conectur, cooperativa fantasma subcontratada pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), pivô do esquema, que se beneficiava dos recursos do Ministério do Turismo.

"Eu cheguei a assinar 60 cheques em branco de uma vez só", revelou ao Estado David Lorrann Silva Teixeira. "Eu assinava porque era o tesoureiro (da Conectur). Tinha que assinar", acrescentou. "Ele (Wladimir Furtado, dono da Conectur) me falava uma coisa e o que acontecida por trás era totalmente outra. Nunca imaginei que essa empresa teria essa fraude todinha."

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