Brasília - O esquema do mensalão mineiro funcionava nos mesmos moldes do esquema montado no governo Lula: recursos públicos eram desviados, dinheiro de empresas privadas com contratos no governo eram captados de forma ilícita e todo esse montante era lavado pelas empresas de publicidade de Marcos Valério com o auxílio dos empréstimos fictícios do Banco Rural. De acordo com documentos, pelo menos R$ 3,5 milhões foram retirados ''criminosamente'' de três estatais: Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e grupo financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).
O dinheiro era desviado por meio de cotas de patrocínios de eventos esportivos à empresa SMPB. Em apenas três eventos, foram gastos R$ 3,3 milhões em patrocínio. ''O valor de três milhões de reais, supostamente destinado aos eventos esportivos, está evidentemente superfaturado para proporcionar o desvio em benefício da campanha eleitoral de Eduardo Azeredo e Clésio Andrade, bem como a remuneração de Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Clésio Andrade e Marcos Valério pelos serviços criminosos'', descreveu o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Ao contrário do mensalão petista, o esquema para o desvio de recursos públicos montado em Minas tem ''inúmeras provas'', alertou o procurador.
A outra fonte de recursos da campanha, essa mais volumosa, envolvia empréstimos fictícios no Banco Rural para maquiar o desvio de recursos públicos e contribuições ilegais de empresas com interesses em futuros contratos com o governo. De acordo com a denúncia, foram feitos sete empréstimos que somados envolvem R$ 28,515 milhões em favor da SMPB e DNA, empresas de Valério e sócios.
Parte desse dinheiro, para que não fosse rastreado, era sacado na boca do caixa em agências do Banco Rural, mesma prática usada no mensalão petista. A denúncia será agora analisada pelo ministro do STF Joaquim Barbosa, relator também da ação penal contra os 40 envolvidos no mensalão do governo Lula. (F.R.)

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