A Justiça Federal declinou da competência para investigar o ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT), suspeito de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, por meio de contratação irregular de assessores. Como não ocupa mais nenhum cargo que lhe confira a prerrogativa de foro privilegiado, o pedetista vai ser investigado a partir de agora pelo Ministério Público (MP) do Paraná, na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Conhecida como ''Esquema Gafanhoto'', a investigação, iniciada há quase dez anos pelo Ministério Público Federal (MPF), alcançou o então deputado estadual Barbosa Neto e outros mais de 60 deputados e ex-deputados estaduais.
A decisão de remeter o processo para a esfera estadual foi do desembargador do Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF4) Paulo Afonso Brum Vaz, no final do ano passado. A assessoria de imprensa do órgão disse que os dados referentes ao caso são sigilosos e que não poderia dar detalhes da decisão, mas confirmou que o magistrado acatou o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu vários habeas corpus a envolvidos, declarando a competência estadual no caso. Desde então, o material - um processo para cada suspeito - começou a ser enviado para o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
O pedido de providências sobre Barbosa Neto, depois de quase três anos tramitando no TRF4, voltou para o TJ no último dia 7 e brevemente deve ser recebido pelo MP. O promotor de Justiça Rodrigo Chemim, assessor da Procuradoria-Geral de Justiça, emitiu ontem o seu parecer pela sequência das investigações na primeira instância. ''A maioria dos investigados, como é o caso de Barbosa, não tem mais foro, então a tramitação agora deve ocorrer em primeiro grau.'' Chemim acredita que o caso ficará com o MP de Curitiba, local dos supostos ilícitos. Também assina o parecer o subprocurador de Justiça José Deliberador Neto.
Embora o STJ tenha determinado a incompetência da Justiça Federal para as investigações dos gafanhotos, o promotor Rodrigo Chemim explicou que as informações já coletadas poderão ser utilizadas normalmente pelo MP. A FOLHA tentou falar com o ex-prefeito Barbosa Neto ontem, mas ele não atendeu as ligações.

Esquema Gafanhoto
Dentre os crimes, foram apurados sonegação fiscal de tributo federal, peculato e estelionato. Foi aberto então um inquérito para cada uma das 74 contas bancárias suspeitas, com o objetivo de investigar os titulares, como chefes de gabinete de parlamentares e familiares de deputados. A operação foi paralisada em 2009, sob o argumento de que alguns políticos acabaram assumindo cargos em nível federal, sendo então competência da Justiça Federal a investigação.

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