Uma investigação iniciada em 2008 pela Controladoria Geral da União (CGU) em três municípios do Paraná apurou um desvio de R$ 24 milhões em recursos dos ministérios da Saúde e do Trabalho repassados para a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap), sediada em Curitiba, mas cujo presidente do Conselho Administrativo, Dinocarme Aparecido Lima, reside em Londrina. Nos últimos cinco anos, a entidade teria recebido cerca de R$ 1 bilhão do Governo Federal e a estimativa é de que a organização criminosa tenha desviado cerca de R$ 300 milhões.
Até o início da noite, 11 pessoas tinham sido presas, incluindo Lima - que também é proprietário das Faculdade Integrada Inesul -, a esposa dele, Vergínia Aparecida Mariani, o diretor da Inesul, Paulo Chanan, e Juan Carlos Monastieri, apontado como o principal lobista do grupo.
Conforme o coordenador-geral de operações especiais da CGU, Israel Carvalho, as investigações foram concentradas em Londrina, Rolândia e Campo Largo. Em Londrina, o Ciap teria faturado R$ 34 milhões nos últimos cinco anos e o desvio apurado chegaria a R$ 10,2 milhões. Em Rolândia, de um total de R$ 12,9 milhões recebidos cerca de R$ 2,4 milhões teriam sido desviados. Em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, a organização criminosa teria desviado por volta de R$ 2 milhões de um total de R$ 9 milhões recebidos. Os recursos eram destinados para a área da sa© úde, onde deveriam custear projetos como o Programa Sa© úde da Família (PSF), Samu e Controle de Endemias.
Carvalho explicou que o esquema se valia de ''falhas'' na fiscalização por parte das prefeituras para não comprovar despesas que justificassem o gasto do dinheiro. ''Os recursos eram remetidos do governo federal para o Ciap para saldar folha de pagamento, por exemplo. O Ciap emitia a folha, fazia o pagamento, pagava os encargos, mas aproximadamente um terço dos gastos não eram comprovados. Estes recursos eram transferidos diretamente da conta do programa em questão para uma conta própria do Ciap e, depois, eram desviados para outras empresas do grupo ou para pessoas físicas ligadas ao grupo'', detalhou o coordenador da CGU.
Com base no que foi apurado pela investigação deflagrada ontem, a ''Operação Parceria'' teve ações de cumprimento de 40 mandados de busca e apreensão no Paraná e em outros quatro Estados (Goiás, Maranhão, Pará e São Paulo). Além disso, foram presas temporariamente seis pessoas em Londrina, quatro em Curitiba e uma em Apucarana. Três empresários de Londrina - um seria filho de Lima - estão foragidos. Dois aviões e diversos veículos foram apreendidos e todas as contas bancárias dos investigados foram bloqueadas.
''Vamos colocar todas as provas à disposição da Justiça para que essa verdadeira parceria do mal, que está sendo combatida pela parceria do bem, possa ser condenada e que a Justiça tenha a tranquilidade para estancar essa verdadeira sangria que estava indo para a mão de particulares'', comentou o delegado-chefe da PF em Londrina, Evaristo Kuceki.
Kuceki explicou que a primeira fase das investigações envolvia as investigações e as prisões efetuadas ontem, mas afirmou que o trabalho continua para apurar o envolvimento de agentes públicos das prefeituras investigadas no esquema de desvio. Até o momento, segundo ele, alguns nomes de servidores surgiram nas investigações, porém, ele não declinou quem seriam nem de onde.

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