'Esquema foi montado para financiar base aliada'
Curitiba Os advogados do empresário Gerson de Mello Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix, e que está preso preventivamente na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, acusam, em petição protocolada na Justiça Federal do Paraná, que o governo federal "loteou" a administração federal para satisfazer interesses de partidos políticos.
"Faz mais de doze anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano de manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na administração pública, em especial, em empresas públicas e em sociedades de economia mista. O pragmatismo nas relações políticas chegou, no entanto, a tal dimensão que o apoio no Congresso Nacional passou a depender da distribuição de recursos a parlamentares. O custo alto das campanhas eleitorais levou, também, à arrecadação desenfreada de dinheiro para as tesourarias dos partidos políticos", destaca trecho da petição.
O documento apresentado faz parte da defesa preliminar de Almada em resposta à denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF). Na petição, eles destacam que a denúncia não pode ser recebida, "pois não conta a verdade". E a defesa prossegue: "Não por coincidência, a antes lucrativa sociedade por ações, a Petrobras, foi escolhida para geração desses montantes necessários para a compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias".
A defesa do executivo ainda aponta que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa aparece como principal personagem que "exigia" o pagamento de propina dos empresários. "Nessa combinação de interesses escusos, surgem personagens como Paulo Roberto Costa, que, sabidamente, passou a exigir percentuais de todos os empresários que atendiam a companhia. O que ele fazia era ameaçar, um a um, aos empresários, com o poder econômico da Petrobras", diz outro trecho da petição.
O empreiteiro Gerson de Mello Almada é acusado de formação de cartel e de integrar uma organização criminosa montada para controlar e superfaturar obras da Petrobras. (R.C.J.)





