Esquema foi detalhado por Youssef
Curitiba - Conforme as investigações, a transação envolvendo Detran e Vale Couros teve a participação efetiva do doleiro Alberto Youssef, que foi julgado e condenado judicialmente por crimes econômicos cometidos contra o País.
O doleiro Alberto Youssef era constantemente chamado para a troca de créditos tributários por dólares. Ele era responsável pela pulverização dos valores, de forma que eles não pudessem ser lastreados por auditorias bancárias. Depois, os valores retornavam para o Paraná em Reais e eram depositados em contas bancárias de laranjas. Muitas vezes, eram sacados depois em dinheiro para que não houvesse como provar a transação ou o destino final dos valores recebidos. Youssef teria sido chamado para fazer a troca dos valores recebidos pela presidência da Embracon, que teria intermediado o acordo com a Vale Couros. Em entrevista à FOLHA - que divulgou a investigação com exclusividade - o sócio da Vale Couros, Roberto Fabbrin (que está preso), negou que tenha se utilizado da Embracon para efetivar a transação. ''Fiz tudo sozinho. Tenho relações com a Embracon, mas não precisei de ninguém para intermediar a negociação com o Detran.''
Youssef confirmou a operação e deu detalhes ao MP e à Justiça Federal. Disse que a operação teria que ser feita em uma agência de câmbio do Rio de Janeiro e em contas separadas porque se tratava de uma empresa que não teria condições de devolver o dinheiro. Quando a Folha fez a denúncia, o advogado da Vale Couros, Ricardo Godoy, em Curitiba, prometeu que os valores dos créditos seriam liquidados em 90 dias. A empresa gaúcha esperava, segundo ele, que a União compensasse todos os créditos de exportação que teria a receber entre os anos de 1982 e 1996, num total aproximado de R$ 356,7 milhões. Deste montante, R$ 10,7 milhões (3%) seriam destinados ao Detran. ''Os créditos sempre foram bons. Tínhamos apenas que tramitar com todos os procedimentos judiciais antes da liquidação final'', prometeu.
Godoy informou à época que havia vencido em todas as instâncias judiciais e que havia pedido a liquidação da sentença no dia 8 de julho de 2003. Os valores, no entanto, nunca foram pagos. Ricardo Augusto Cardoso Godoy foi um dos presos ontem na Operação Trânsito Livre, acusado de ter falsificado documentos para a ''organização criminosa''. Ele é quem teria dado substrato jurídico para desencadear as ''negociatas''. (L.P.)





