Os ex-vereadores Orlando Bonilha, Renato Araújo e Osvaldo Bergamin, falecido em 4 de setembro de 2010, e o ex-assessor parlamentar de Bergamin, Julio Romagnolli, foram condenados por improbidade administrativa em sentença proferida em 5 de julho pelo juiz da 1 Vara Cível de Londrina, Bruno Régio Pegoraro. Em dezembro de 2005, eles teriam participado de um esquema articulado por Araújo para exigir propina do empresário Ângelo Marcelo Caldarelli em troca da aprovação do projeto de lei 270/05, que legalizou a propriedade de um terreno, do qual o empresário já tinha a posse.
Efetivamente o projeto foi sancionado pelo ex-prefeito Nedson Micheleti (PT) e se tornou a lei 9.898/06. Esta é a segunda condenação, na esfera cível, do esquema de cobrança de propina que vigorou na Câmara Municipal de Londrina na Legislatura passada: nas últimas eleições, em 2008, apenas um dos vereadores suspeito de envolvimento se reelegeu.
Na mesma sentença, o juiz absolveu, por falta de provas, outros seis vereadores cujos nomes constavam da ''lista Caldarelli'' e que segundo o Ministério Público, receberam dinheiro para aprovar o projeto de doação. Foram absolvidos Gláudio Renato de Lima, Jamil Janene, Henrique Barros, Sidney de Souza, Luiz Carlos Tamarozzi e Flávio Vedoato. Renato Araújo admitiu ter elaborado a lista, mas negou ter escrito valores ao lado dos nomes - que seriam o montante que cada um dos vereadores exigia para votar favoravelmente ao projeto.
Em juízo, Bonilha confessou participação no esquema. Araújo disse que não recebeu qualquer valor irregularmente. Já Bergamin manteve-se em silêncio ao ser ouvido pelo Ministério Público e não compareceu na audiência em que seria ouvido pelo juiz. O assessor Júlio Romagnolli disse que apenas emprestou sua conta para o depósito de um cheque.
O juiz conclui, na sentença, que o valor auferido ilicitamente pelos vereadores foi de R$ 22 mil e não de R$ 38 mil, conforme atestava o Ministério Público na ação civil pública. Para fazer o pagamento, Caldarelli assumiu dívida de Renato Araújo e Osvaldo Bergamin com Márcio Borsalli, no valor de R$ 40 mil. Quando a lei foi aprovada, Caldarelli recebeu de Araújo terrenos, que vendeu por R$ 24 mil e que utilizou para pagar a dívida, além de R$ 16 mil que obteve por meio de empréstimo. Também houve o depósito de R$ 6 mil na conta de Romagnolli. Do total de R$ 22 mil, Bonilha confirmou ter recebido ''R$ 3 mil ou R$ 5 mil''.
O juiz Bruno Pegoraro condenou Renato Araújo ao pagamento de multa civil de R$ 55 mil e suspensão dos direitos políticos por 9 anos, já que ''o réu em questão foi o articulador, o mentor de toda a negociata, quem, diretamente exigiu dinheiro a Ângelo Marcelo Caldarelli. Essa conduta viola os mais basilares limites da atuação do legislador, envergonha, denegrindo a imagem já tão manchada do Poder Legislativo''.
Bonilha foi condenado a multa de R$ R$ 44 mil e suspensão dos direitos políticos por 8 anos. Romagnolli teve suspensão de direitos políticos por 3 anos e multa de dez vezes o valor de seu salário à época dos fatos. Já Bergamin, por estar morto, somente foi condenado a multa civil de R$ 44 mil que será cobrada do espólio. Os quatro réus também foram solidariamente condenados a devolver o valor recebido ilicitamente, ou seja, R$ 22 mil.
Da sentença cabe recurso tanto ao Ministério Público quanto aos réus. Este fato rendeu ação penal a todos os réus, que respondem por formação de quadrilha e concussão.

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